Flávio Bolsonaro aposta em agenda com Trump para reforçar pré-campanha
Objetivo é aproveitar um eventual encontro na Casa Branca para fortalecer a imagem de Flávio na corrida presidencial de 2026

O senador Flávio Bolsonaro está em Washington e se prepara para um possível encontro nesta terça-feira (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao desgaste político provocado pelas revelações sobre contatos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, a reunião estaria prevista para a tarde desta terça, embora a pré-campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro evite confirmar oficialmente a agenda. Aliados afirmam que o objetivo é aproveitar um eventual encontro na Casa Branca para fortalecer a imagem de Flávio na corrida presidencial de 2026.
De acordo com interlocutores do senador, um dos principais temas da conversa deverá ser o combate ao crime organizado, especialmente a proposta defendida pelo governo americano de equiparar facções criminosas brasileiras a organizações terroristas. A estratégia da pré-campanha é explorar a pauta da segurança pública, considerada uma das áreas mais sensíveis para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Também podem entrar na pauta discussões sobre regulação das redes sociais, liberdade de expressão, ampliação das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e a exploração de terras raras e minerais críticos. Especialistas ouvidos por Flávio avaliam ainda que a aproximação com Trump pode ajudar a evitar a imposição de novas tarifas comerciais contra o Brasil, medida que, segundo aliados, poderia beneficiar politicamente Lula.
Nos bastidores, aliados afirmam que Flávio Bolsonaro pretende adotar uma postura mais discreta no encontro, ouvindo mais do que falando. O entorno do senador sustenta que o convite para a reunião partiu diretamente de Trump.
Flávio embarcou para Washington no domingo (24), mas ele e sua equipe têm evitado confirmar oficialmente a reunião. A justificativa é que qualquer anúncio deve ser feito pela Casa Branca. Reservadamente, porém, aliados admitem preocupação com o impacto político de um eventual desencontro caso a reunião não aconteça.
O senador aposta em um gesto público de Trump para recuperar espaço político após a repercussão negativa envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto acompanha a movimentação do senador nos Estados Unidos. Integrantes do governo avaliam, entretanto, que o canal de diálogo já existente entre Lula e Trump pode reduzir o impacto político de uma eventual aproximação entre o presidente americano e o grupo bolsonarista.
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