Estilista comanda projeto em cadeias e critica sistema: 'Fracasso multimilionário'
Raquell Guimarães comanda programa de ressocialização e define sistema prisional como 'maior fracasso multimilionário do nosso Estado'
A estilista e empresária Raquell Guimarães comentou sobre a situação do sistema carcerário no Brasil durante entrevista ao programa Dia a Dia da Política, da jornalista e colunista da Itatiaia Bertha Maakaroun, nesta segunda-feira (6). Ela comanda, há mais de duas décadas, um projeto que qualifica pessoas privadas de liberdade em Minas Gerais para atuar no setor da moda sustentável.
Parte do trabalho de Guimarães é ensinar presos a fabricar peças de tricô e crochê que são vendidas em dezenas de lojas dentro e fora do Brasil. Durante a entrevista, a empresária destacou que o trabalho de qualificação de pessoas cumprindo pena faz parte de uma ideia de que a punição deve ser uma ferramenta de ressocialização e não de uma condenação e apartamento perpétuo da sociedade.
“O sistema tradicional, para mim, saturou. É o maior fracasso multimilionário do nosso Estado, do nosso país, da nossa condição de Estado Democrático de Direito. O maior problema hoje está na forma como a justiça lida com as pessoas que cometeram os crimes. Ali é um retrato explícito da nossa derrota enquanto sociedade, do nosso abismo de oportunidades”, afirmou a estilista.
Raquell conta que já levou seu projeto a três modelos de presídios e hoje atua na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Itabira, formato que entende como o mais humanizado e capaz de promover a ressocialização dos condenados. A partir de sua experiência, ela complementa a crítica ao formato tradicional das prisões brasileiras.
“É um sistema muito injusto, um sistema de grande exclusão, porque a cadeia escolhe seu cliente. A pessoa privilegiada tem advogados, tem condições, e a pessoa que depende do Estado é vitimizada de todas as maneiras. Primeiro pelo abandono de políticas públicas efetivas para que esse jovem da periferia não tenha como única oportunidade de vida vender droga num beco. E depois porque o sistema como um todo é punitivo, é castigo, tem uma coisa sádica no trato com a pessoa, que é muito humilhada. Ela não é vista como ser humano, ela é vista como monstro, ela é enjaulada. No último ano, a cada três dias, uma pessoa morreu dentro do sistema em Minas Gerais. Isso para mim é tortura”, destacou.
Veja a entrevista na íntegra:
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora



