Belo Horizonte
Itatiaia

Em decisão favorável a Zema, Barroso critica aumento de salário do governador

Ministro do STF livrou o Governo de Minas de pagar dívida de R$ 16,4 bilhões com o governo federal

Por
Luís Roberto Barroso atendeu pedido de Romeu Zema, mas criticou condução da economia em Minas
Luís Roberto Barroso atendeu pedido de Romeu Zema, mas criticou condução da economia em Minas • Nelson Jr./SCO/STF

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, criticou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) pela decisão de conceder um aumento escalonado de quase 300% em seu salário e no de seus secretários, além do reajuste para servidores públicos. Barroso também criticou o que chamou de "anistia a empresas". Recentemente, a Assembleia aprovou um projeto de lei que mantém a redução do IPVA a empresas locadoras de veículos.

A afirmação se deu em decisão favorável a Zema, publicada na noite desta quinta-feira (13), em que livrou o Governo de Minas do pagamento de uma dívida de R$ 16,4 bilhões pelo estado não ter aprovado, dentro do prazo, a adesão ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (PAF), do governo federal.

Na decisão, Barroso deixou claro que a decisão se deu para evitar um agravamento da "situação fiscal calamitosa" do Governo de Minas, mas diz que a gestão de Zema tem adotado ações que vão no sentido contrário.

"Nada obstante, a administração local tem praticado ações que vão de encontro ao compromisso com a sustentabilidade de sua dívida, como concessão de aumentos a servidores públicos, ao próprio governador e secretários, além de redução de tributos e anistias a empresas", disse Barroso em trecho da decisão.

O ministro ainda disse que a condução políticas das finanças estaduais pelo governo Zema é "claudicante", mas que a cobrança da dívida por parte da União "tem a potencialidade de causar severos prejuízos à continuidade da prestação dos serviços públicos" e poderia atingir "os mais necessitados".

Barroso livra Minas de dívida

O Governo de Minas acionou o STF depois de perder o prazo para aderir ao PAF. Pelas regras do programa, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais deveria ter aprovado um projeto de lei até o dia 30 - mas um impasse entre base e oposição ao governo travaram as discussões na véspera do vencimento. A proposta só recebeu aval do Legislativo no dia 6 de julho, uma semana depois.

Com o atraso, o governo federal notificou o governo Zema sobre a necessidade do pagamento da dívida de R$ 16,4 bilhões, quando Minas acionou o STF.

A decisão de Barroso é liminar, ou seja provisória, e vale até que o pleno do Supremo julgue a ação de forma conjunta, o que ainda não tem data para acontecer.

Mesmo com a decisão favorável a Zema, o ministro Barroso não deixou de tecer críticas ao governo e até discordou do argumento utilizado pela Advocacia-Geral do Estado (AGE), de que a aprovação legislativa não era necessária já que uma lei anterior, aprovada no governo Pimentel em 2017, já permitiria a adesão ao programa.

Barroso considerou que o prazo foi perdido por apenas sete dias e que há um “bloqueio institucional” do Legislativo contra o Governo de Minas.

“Dessa forma, considerando o estado legislativo de coisas na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, deve-se reconhecer a validade da lei autorizadora para fins de adesão ao Programa, mesmo com atraso de 7 (sete) dias, sendo certo que tal excepcionalidade está sendo reconhecida tão-somente ao Estado de Minas Gerais, haja vista a situação específica do Estado”, escreveu o magistrado.

Por

Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.