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Eleitorado evangélico: Bolsonaro mantém apoio, Lula corre atrás e Zema está patinando

Parcela importante da população, eleitor evangélico vai fazer a diferença nos próximos pleitos

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Eleitorado evangélico: Bolsonaro mantém apoio, Lula corre atrás e Zema está patinando • Reprodução/Redes Sociais

A disputa pelo eleitorado evangélico é um componente que preocupa os pretensos candidatos à presidência da República no Brasil. Embora esteja inelegível, Jair Bolsonaro (PL), é o líder político brasileiro com maior influência nesse público. A esposa, Michele Bolsonaro, tem trabalhado diariamente para manter a base religiosa e, ao que tudo indica, a família do ex-presidente tem conseguido.

Lula

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem consciência da dificuldade que terá para conquistar essa parcela de votantes. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), tem tentando uma aproximação com líderes politicos e eclesiasticos. O governo avalia ampliar a isenção fiscal para religiosos, o que seria um ponto positivo. No entanto, o próprio Planalto entende que o desafio será grande, já que para os evangélicos pautas como discriminalização das drogas e criminalização do aborto são carros-chefe e vão na contra-mão do que defende a esquerda.

Zema

Para o governador Romeu Zema (Novo), possível candidato à presidência da República, a situação é complexa. Posicionado à direita, ele mantém uma distância de segurança de Bolsonaro. Perto demais pode absorver o desgaste, longe demais pode virar um alvo e perde parte do eleitorado.

No entanto, em relação aos evangélicos, há um episódio específico. Os religiosos reclamam que, dentre mais de 10 indicações para o Quinto Constitucional (oriundas da OAB e do MP), Zema ainda não indicou nenhum evangélico para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A última escolhida foi a advogada Mônica Aragão. A expectativa é que na próxima lista triplíce do TJ, para vaga de aposentadoria que deve surgir neste ano, haja algum evangélico e que ele seja escolhido pelo governador.

Para Alexander Barroso, interlocutor da bancada evangélica, o governador precisa dar a atenção necessária a essa parcela da população. "Nós evangélicos somos quase 40% da população. O governador nunca indicou um evangélico para o judiciário. Os evangélicos sabem disso. Ele teve a oportunidade de mitigar essa desproporcionalidade. É o que os evangélicos esperam dele. Se não houver gestos, Zema vai ter muita dificuldade de conquistar apoio para 2026. Essa época de instrumentalizar os evangelicos e lembrar do segmento somente na época da eleição acabou. Os políticos precisam entender isso ", afirmou.

Procurado, o Palácio Tiradentes disse que todas as decisões para indicações feitas pelo Governo de Minas são pautadas por avaliações técnicas, com base no currículo e nas qualificações dos candidatos para vagas.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.