Saiba quem foi a última mulher a representar MG no Senado há quase 30 anos
Bancada mineira no Senado Federal pode completar três décadas sem uma representante feminina, última eleição foi em 1990

Há quase 30 anos nenhuma mulher representa a bancada de Minas Gerais no Senado Federal. A primeira, que também foi a última a ocupar uma cadeira na Câmara Alta do Congresso Nacional, foi Júnia Marise, entre 1991 e 1998.
Júnia Marise foi vereadora de Belo Horizonte entre 1970 e 1974 e depois se elegeu deputada estadual, em 1974. Na eleição seguinte, ela foi eleita deputada federal, se tornando a primeira mulher a representar os mineiros na Câmara, desde o AI-5, da Ditadura, que cassou a deputada Nísia Carone.
Em 1986, Júnia se elegeu vice-governadora, na chapa de Newton Cardoso. Durante o governo, no entanto, mudou de sigla e se aproximou do partido PRN. Na campanha de 1990, apoiou Fernando Collor para presidente e se elegeu senadora por Minas Gerais.
Junto com Marluce Pinto, parlamentar de Roraima, a política mineira se tornou a primeira mulher escolhida para o Senado com o voto popular.
Regina Assumpção assume suplência
Entre 1996 e 1998, outra mulher, Regina Assumpção, exerceu o mandato porque era suplente de Arlindo Porto, que se licenciou do Senado para ser ministro da Agricultura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) durante 2 anos.
Curiosamente, Regina Assumpção não tinha carreira política, ela era secretária do PTB e foi escolhida de última hora como primeira suplente quando Arlindo Porto se candidatou.
Portanto, desde 1998, nenhuma mineira se tornou senadora por Minas Geais. Em 1994, além de Arlindo Porto, os eleitores optaram por Francelino Pereira para o Senado.
Em 1998, o eleito foi José Alencar. Em 2002, Eduardo Azeredo e Hélio Costa. Em 2006, quem ganhou a eleição foi Eliseu Resende. Quatro anos depois, Aécio Neves e Itamar Franco foram para o Senado. Em 2014, Antônio Anastasia ganhou a eleição. Em 2018, Carlos Viana e Rodrigo Pacheco e, em 2022, Cleitinho Azevedo.
19 homens
Nesses quase 30 anos, nem como suplentes mulheres assumiram mandato. Quando José Alencar renunciou em 2002 para ser vice-presidente da República no primeiro mandato de Lula, quem assumiu foi Aelton Freitas.
Entre 2005 e 2010, o empresário Wellington Salgado ocupou a vaga de Hélio Costa, que se licenciou para ser ministro das Comunicações entre o primeiro e o segundo mandato de Lula.
Em 2011, quando o senador Eliseu Resende faleceu, outro homem, o também empresário Clésio Andrade, herdou o mandato. No final de 2014, Andrade renunciou e assumiu o final do mandato o segundo suplente, Antônio Aureliano, filho do ex-governador e ex-vice presidente da República, Aureliano Chaves.
Ainda em 2011, o ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela, assumiu a vaga de senador com a morte de Itamar Franco.
Em 2022, Antônio Anastasia (então filiado ao PSD) renunciou para se tornar ministro do Tribunal de Contas da União. No seu lugar, entrou o primeiro suplente, Alexandre Silveira (PSD). A saída foi no início de 2023 porque ele assumiu o Ministério de Minas e Energia. Também outro homem, o segundo suplente Lael Varella, ganhou a vaga. Mas ficou por apenas um mês, em janeiro de 2023, em pleno recesso parlamentar.
Já em 2024, o senador Carlos Viana (Podemos) se licenciou do mandato por 4 meses para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. Outro homem assumiu a cadeira: Castellar Guimarães Neto (PP)
Ou seja, nos últimos 28 anos, dezenove homens representaram Minas Gerais no Senado. Nenhuma mulher.
Aliás, não é só no Senado que as mulheres mineiras são desprestigiadas. O Estado nunca teve uma governadora e a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público nunca tiveram uma mulher no comando.
Em relação ao Senado, esse quadro de ausência de mulheres pode mudar agora em 2026 porque há duas pré-candidatas a uma cadeira na Câmara Alta do Congresso: a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e a ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL).
Eustáquio Ramos tem quase 30 anos de carreira, sendo 25 anos na Itatiaia, onde apresenta o Jornal da Itatiaia 1ª Edição e é repórter especial de Política. É pós-graduado em Comunicação Empresarial. Coautor da Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro e do Manual de Pronúncia da Itatiaia. Foi ganhador do 4º Prêmio CDL-BH de Jornalismo. Já foi homenageado, entre outras condecorações, com a Medalha da Inconfidência, Medalha da Ordem do Mérito Imperador Dom Pedro 2º, Medalha de Mérito da Defesa Civil Estadual e Oscar Solidário. Já teve passagens também pela TV Assembleia, TV Bandeirantes, TV Horizonte, Record, Alterosa e Canal 23.
A coluna Poder em Minas é um espaço para a publicação de informações de bastidores, análises e apurações exclusivas dos repórteres de política da Itatiaia. A partir dos textos no portal e vídeos nas redes sociais, a equipe da redação mantém os ouvintes, espectadores e leitores bem informados sobre as movimentações que arquitetam o cenário das eleições de 2026.

