Paradeiro de Flávio: veja os aliados bolsonaristas que estão no exterior
Derrotado no segundo turno, Flávio Bolsonaro teria ido para os Estados Unidos após Alexandre de Moraes ter determinado a apreensão do seu passaporte

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, teria viajado para os Estados Unidos junto da família nesta terça-feira (27) com o receio de uma possível prisão. O parlamentar é investigado em uma série de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive envolvimento com o Caso Master e lavagem de dinheiro com o advogado e amigo Willer Tomaz.
Nessa segunda-feira (26), o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi abordado por agentes da Polícia Federal (PF) que cumpriam uma ordem do ministro Alexandre de Moraes para a apreensão do passaporte de Flávio. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que obedeceria a determinação do magistrado e entregaria o documento.
Passado o prazo determinado por Moraes para a entrega do passaporte, Flávio Bolsonaro descumpriu a medida. "Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar”, disse Flávio Bolsonaro no instagram.
A viagem foi confirmada pela CNN Brasil com aliados do senador, e pela agência de notícias Reuters com autoridades americanas. Nos últimos anos, os Estados Unidos tem sido um refúgio de aliados do ex-presidente com problemas na Justiça brasileira; veja a lista:
Eduardo Bolsonaro
Filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deixou o país em março de 2025 para morar no Texas. Na época, ele tentou usar a proximidade com o governo de Donald Trump para interceder pelo pai, que ainda estava sendo julgado no STF pela tentativa de golpe.
Em junho, a Primeira Turma do Supremo condenou o parlamentar a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. O colegiado entendeu que ficou comprovado que ele atuou para interferir no julgamento do pai.
Alexandre Ramagem
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a 16 anos de prisão pelo STF por participação na tentativa de golpe, mora em Miami, na Flórida. Ele teria deixado o país pela fronteira de Roraima com a Guiana em setembro de 2025, quando embarcou para os EUA. Nesse domingo (25), ele participou da live de Eduardo Bolsonaro acompanhando a apuração dos votos.
Allan dos Santos
O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre, teve a prisão preventiva decretada em 2021, no inquérito das fake news, comandado por Moraes e que apurava a existência de uma organização criminosa especializada em divulgar notícias falsas. Ele também foi investigado no inquérito que apura a formação das chamadas “milícias digitais”. Ele vive nos Estados Unidos desde então.
Paulo Figueiredo
O jornalista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Baptista Figueiredo, também é investigado no STF por suposta participação na trama golpista. Ex-apresentador da Jovem Pan, ele mudou-se para os Estados Unidos em 2015, e ajudou a acolher Eduardo Bolsonaro no país.
Em uma publicação nas redes sociais, ele chegou a comentar o paradeiro de Flávio, afirmando que seria bombardeado por mensagens e ligações da imprensa perguntando sobre o caso. “Neste momento, depois de meses de intenso trabalho injustamente frustrados, não estou afim de falar com a imprensa”, disse.
Carla Zambelli - Itália
Presa na Itália e em processo de extradição para o Brasil, a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) afirmou ter passado alguns dias nos Estados Unidos antes de fugir para o país europeu. A Polícia Federal também descobriu que a deputada passou pela Argentina enquanto tentava fugir da Justiça brasileira.
Zambelli já foi condenada em dois processos diferentes. Em maio deste ano, Moraes a condenou a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023, da qual teria sido a autora intelectual. Ela também foi condenada a cinco anos por porte ilegal de arma de fogo.
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