Pacheco sinaliza saída do PSD: ‘Fez uma opção em Minas que eu não concordo’
Em evento com Lula, senador evitou comentar sobre possível novo partido e disse que respeita, mas não concorda com movimentos políticos da legenda

O senador Rodrigo Pacheco sinalizou sua saída do PSD durante esta sexta-feira (20) enquanto acompanhava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um evento em Betim, na Grande BH. O parlamentar concedeu uma rara entrevista para falar de seu futuro político e disse que não concorda com o rumo tomado pela legenda em Minas Gerais.
"Há uma tendência forte de eu não permanecer no PSD pela posição tomada pelo partido em Minas, algo com o qual não me alio. Minas precisa ter uma mudança muito significativa para poder retomar os trilhos do desenvolvimento, do progresso e do crescimento. O PSD tomou outro rumo. Eu respeito. Então há uma tendência da minha saída”, disse o senador.
Pacheco, no entanto, não disse qual partido será seu destino e se limitou a afirmar que recebeu diversos convites. A janela partidária se encerra em 4 de abril e o parlamentar precisa se decidir até essa data. O senador contou que havia se decidido a abandonar a vida pública ao fim de seu mandato em 2026, mas foi convencido a voltar a negociar a permanência na política.
O PSD, partido do senador desde 2021, filiou o vice-governador Mateus Simões (PSD), que disputará o pleito de outubro como o incumbente diante da saída do governador Romeu Zema (Novo) para concorrer à Presidência da República. O movimento alinhou a legenda à direita e inviabilizou a reedição da dobradinha feita com o PT em 2022.
Apesar de sinalizar a saída do PSD, Pacheco disse que não enxerga a guinada do partido à direita como um movimento além do que ele considera o “campo democrático”. O senador também afirmou que não se sentiu traído pela legenda capitaneada por Gilberto Kassab.
“O PSD continua sendo um partido democrático, não há dúvida disso. O presidente Kassab é um democrata, mas fez uma opção em Minas que eu respeito, mas não concordo”, complementou.
Pacheco é o nome preferido do PT para concorrer ao Governo de Minas e oferecer um palanque ao presidente Lula no segundo maior colégio eleitoral do país. O senador, no entanto, evita uma resposta definitiva sobre o tema desde as primeiras ideias ventiladas a esse respeito, proferidas pelo presidente ainda em 2024. Até mesmo a entrevista concedida nesta sexta é uma novidade em relação ao comportamento discreto e hesitante do parlamentar.
Além do prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), o senador foi o único nome não petista ou não integrante do governo federal a participar do evento em Betim. A comitiva foi composta por Chambriard; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD); e os petistas: Reginaldo Lopes e Miguel Ângelo , deputados federais; Andréia de Jesus, deputada estadual; Pedro Rousseff, vereador de BH; e Marília Campos, prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
