Itatiaia

Até ala mais à esquerda do PT apoia pragmatismo na escolha da segunda vaga do Senado

Políticos e partidários ouvidos em reservas pela reportagem da Itatiaia apontam que estratégia de aproximação com o centro seria a correta para o partido

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Bandeira do PT
Bandeira do PT • Reprodução

Mesmo entre a ala do PT mais radicada na esquerda, o pragmatismo parece ter vencido a ideologia na construção da chapa majoritária da legenda, que vê a segunda vaga do Senado Federal se aproximando de partidos e figuras políticas ligadas ao centro, como o PSB, ao invés de políticos tradicionais do campo progressista.

Em conversas reservadas com a reportagem da Itatiaia, políticos e partidários afirmam, quase em uníssono, que a estratégia esperada da sigla que representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado deve ser a que melhor se adequar à vontade do eleitorado, não ao ideário que permeia o PT.

Um dos ouvidos pela reportagem afirmou que a militância petista, mesmo àquela ligada às bases sociais e ao pensamento de esquerda, compreenderá, por exemplo, o isolamento provocado pela ausência de uma aliança com nomes de peso do campo progressista, como ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL). A pré-candidata ao Senado vem fazendo sucessivos acenos à legenda para uma tentativa de composição com a ex-prefeita de Contagem Marília Campos.

“A militância orgânica sabe que o grande propósito é derrotar a extrema-direita, fortalecer a nossa bancada no Senado e fazer com que o senado seja democrático e não esteja sob ataque. Nesse sentido, o que for para fortalecer esse campo nós vamos fazer. Estranhamento seria jogar para não vencer. Ninguém tem saudade do período em que a gente não vencia”, afirmou uma das fontes, sob condição de anonimato.

A avaliação é de que uma aliança com o PSB em Minas Gerais espelharia a composição nacional, que coloca Lula ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na corrida pela reeleição. “É natural que a aliança seja com o PSB, estamos alinhados com o PSB nacional. É natural que em Minas também seja. Queríamos que o PSOL fosse federado com o PT, mas o PT é um partido nacional com estratégia nacional, não pode se render a uma estratégia local”, afirmou outra fonte.

“Acho que é razoável (caminhar ao centro), é o que está sendo feito no Brasil todo. As viabilidades eleitorais do PT estão baseadas nisso, garantindo viabilidade para uma candidatura como a de Marília. Não existe um problema com a candidatura de Áurea, mas (a decisão do PT) tem a ver com a estratégia do campo político. A estratégia é compreensível, é o direcionamento nacional do PT hoje”, afirma outra fonte, que confessou que votará, pessoalmente, na candidata psolista como segundo nome para o Senado.

Outro motivo apontado pelos filiados ao PT para aceitação de nomes ao centro é o fortalecimento da candidatura de Patrus Ananias, que será oficializado pela federação PSOL-PV-PCdoB no próximo dia 31. “Temos seis partidos para articular. Patrus tem uma força suprapartidária, em universidades, igrejas. Pouca gente tem essa relação que ele tem, de ter sido ministro. Nas majoritárias, temos suplências de dois senadores. Todo mundo coloca as demandas na mesa e vão trabalhando. É impossível a harmonia absoluta”, pontua uma outra fonte ouvida pela reportagem.

“A capacidade da Áurea não resta dúvida, mas temos que avaliar o todo. Qual é o melhor vice? Quem é o melhor segundo senador? Não é fácil equacionar isso, mas todas são importantes. Na correlação de forças, tem-se que somar. O PSOL é um partido que tem seus limites. Acho que o Patrus colocou bons problemas para o PT. A candidatura dele vai crescer tanto que atrai forças positivas. Não é um mau problema ter que decidir entre extraordinários candidatos. O potencial da chapa é muito grande. Discute-se vitória, não apenas um candidato para dar base para o Lula”, finaliza.

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

 

 

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