Integração da Grande BH pauta fala de todos os candidatos ao governo de MG em sabatina
Sabatina promovida pela Granbel reúne candidatos ao governo de Minas para debater desafios e futuro da Região Metropolitana; integração é proposta principal dos candidatos

Os candidatos ao governo de Minas Gerais Mateus Simões (PSD), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Patrus Ananias (PT) e Túlio Lopes (PCB) apontaram a necessidade de integração da Região Metropolitana de Belo Horizonte como uma das principais medidas para enfrentar os desafios dos municípios.
As propostas foram apresentadas durante sabatina promovida pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), nesta quinta-feira (20), em Belo Horizonte.
O encontro, realizado no Auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), reuniu os candidatos para discutir temas como saúde, mobilidade, segurança, saneamento, habitação e desenvolvimento econômico.
Apesar das diferenças entre as propostas, a necessidade de uma atuação integrada entre Estado e municípios foi defendida pelos cinco participantes.
Flávio Roscoe defende “destravar” economia de Minas
Flávio Roscoe destacou a situação fiscal de Minas Gerais e do país como um dos principais desafios para a realização de investimentos públicos. Segundo o candidato, o alto endividamento compromete a capacidade de investimento no futuro e exige uma gestão mais eficiente dos recursos.
“Efetivamente, o Brasil vive um momento muito complexo, do ponto de vista econômico, com alto endividamento por parte do país, e esse agravamento tende a reduzir, provavelmente, os investimentos futuros. Traduzindo, dívida é consumo presente em detrimento de consumo futuro. Então, toda vez que você está endividado, quer dizer que você tem menos perspectiva no futuro de fazer algo”, afirmou.
Para Roscoe, a situação também se aplica ao governo estadual. O candidato defendeu uma gestão técnica dos recursos e afirmou que a prioridade deve ser a geração de riqueza para ampliar a capacidade de investimento do Estado.
Segundo ele, a Região Metropolitana deve receber atenção especial por concentrar parcela significativa da população mineira e por apresentar problemas de infraestrutura urbana.
“Quando você analisa Minas Gerais, tem que ser prioritariamente na região urbana, porque nós temos aqui 25% da população. Recurso aqui vai impactar muito mais gente. Não que o interior não vai ser olhado com recursos, mas aqui é vital e a nossa estrutura urbana é precária”, disse.
Roscoe afirmou ainda que pretende “destravar” Minas Gerais nos primeiros meses de governo e relacionou a medida à capacidade do Estado de realizar obras de infraestrutura.
“O que nós prometemos é destravar o Estado em 90 dias, que a única solução para ter recurso é que a gente gere riqueza nesse Estado. O resto é rouba-bolinha. É um tirando do outro, não soma. Nós temos que multiplicar o recurso do Estado e esse é meu compromisso”, afirmou.
Entre as obras citadas pelo candidato está o Rodoanel Metropolitano, que, segundo ele, depende da retomada da capacidade de investimento do Estado.
Gabriel Azevedo coloca transporte integrado como prioridade
Gabriel Azevedo defendeu a criação de mecanismos de governança para integrar os municípios da Região Metropolitana. Para o candidato, os limites administrativos entre as cidades não correspondem à realidade vivida pela população.
“Quando eu vou lecionar na Faculdade de Direito Milton Campos, na sua cidade, Nova Lima, eu não estou atravessando uma fronteira. Eu estou no mesmo ajuntamento. Quando eu vou dar uma entrevista no jornal Tempo, em Contagem, eu estou ali pulando o limite que só existe no mapa. Somos todos uma grande metrópole”, afirmou.
A integração do transporte foi apontada por Azevedo como a principal prioridade de seu eventual governo. O candidato defendeu a criação de um bilhete integrado metropolitano e citou experiências de outras regiões como referência.
“Quando a gente fala de Região Metropolitana, pessoal, eu vou colocar aqui a prioridade máxima para esse candidato a governador aqui: integração e transporte. […] O bilhete integrado metropolitano está no meu plano de governo como prioridade máxima”, disse.
Azevedo também defendeu uma estrutura de governança metropolitana para coordenar políticas que ultrapassam os limites de cada município.
“Nós temos que tratar a nossa metrópole de maneira integrada, não só no transporte, mas na regionalização da saúde, porque não dá para ter pressão na nossa rede por conta de um entorno. Nós temos que fazer, sim, um grande consórcio metropolitano inteligente”, afirmou.
O candidato também citou saneamento e meio ambiente como áreas que exigem ações conjuntas entre os municípios. Segundo ele, a estrutura atual das agências metropolitanas é insuficiente para coordenar as demandas da região.
“Hoje, a agência da Região Metropolitana conta com 33 funcionários. […] Nós temos aí com quase 50 pessoas nas agências, mas falta governança. É isso que eu quero provar”, declarou.
Mateus Simões destaca avanços e defende padronização
Atual governador e candidato à reeleição, Mateus Simões afirmou que parte dos problemas apresentados pela Granbel é antiga, mas destacou avanços realizados nos últimos anos.
Entre as principais questões, citou a integração do transporte e a necessidade de uniformizar parâmetros para a construção de moradias de interesse social entre os municípios.
“Na minha primeira reunião pós-eleição de 2022, na Granbel, uma reunião ainda no mês de novembro, eu tratei de vários desses assuntos, dois deles que me parecem os mais traumáticos para quem vive na Região Metropolitana: a questão da integração do transporte e a questão da uniformização dos parâmetros construtivos de moradia de interesse social”, afirmou.
Segundo Simões, a falta de padronização entre os municípios dificulta a construção de habitações de interesse social em escala metropolitana. O candidato afirmou que houve avanços nas negociações para alterar os parâmetros construtivos.
Ele também citou medidas relacionadas à integração do transporte metropolitano.
“Nós criamos um modelo, junto com o Banco Mundial, para o transporte metropolitano direto pelo Estado e estamos começando a caminhar na direção de cada uma das prefeituras, para que a gente tenha um sistema unificado na gestão do que é o transporte dentro de cada uma das cidades e no transbordo de uma para outra, já que as cidades, quase na sua totalidade aqui, estão conurbadas”, disse.
Simões destacou ainda obras de mobilidade, como a expansão do metrô de Belo Horizonte e o Rodoanel Metropolitano.
“Eu acho que a gente teve avanços bem significativos no diálogo. […] O primeiro é a inauguração da extensão da Linha 1 do metrô e o início das inaugurações das estações da Linha 2, porque o transporte por metrô vai mudar muito ao longo dos próximos anos”, afirmou.
O candidato também citou o Rodoanel como uma obra importante para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana e afirmou que o projeto já passou por etapas de licenciamento, aprovação e contratação.
Patrus defende integração de políticas públicas
Patrus Ananias destacou a necessidade de ações conjuntas entre os municípios em áreas como transporte, saúde, educação e desenvolvimento econômico. O candidato afirmou que a integração metropolitana é uma pauta que acompanha sua trajetória política desde o período em que foi vereador e prefeito de Belo Horizonte.
Segundo Patrus, a proximidade entre os municípios faz com que problemas de uma cidade tenham impacto direto sobre as demais.
“Eu penso que os municípios que conformam a Região Metropolitana têm desafios muito comuns. Belo Horizonte, hoje, praticamente lida com vários municípios circunvizinhos. É só nós pensarmos em Ribeirão das Neves, em Contagem, em Betim, em Ibirité, municípios que estão hoje integrados. Praticamente, você sai de um município e entra no outro sem saber exatamente”, disse.
O candidato defendeu que o governo estadual estabeleça diretrizes para políticas integradas, especialmente nas áreas de transporte e saúde.
“Tem alguns desafios que nós teremos que enfrentar no governo de Minas. Primeiro, a questão do transporte coletivo, claro, o transporte cidadão, com o setor privado atuando também, mas obedecendo às diretrizes públicas, relacionadas com o interesse público, com o bem comum, buscando também ações integradas no campo das políticas públicas, no campo da saúde”, afirmou.
Patrus também defendeu integração em áreas como educação e desenvolvimento econômico, com políticas que considerem as características específicas de cada município.
Túlio Lopes defende empresa pública de transporte
Túlio Lopes apresentou uma proposta diferente dos demais candidatos para a mobilidade urbana. O candidato do PCB defendeu maior participação do Estado na gestão do transporte metropolitano e afirmou que uma empresa pública poderia ser uma alternativa para enfrentar os problemas do setor.
“Nós defendemos que o protagonismo deve ser do Estado, principalmente do Estado, sob a perspectiva do controle popular. E é fundamental que o governo do Estado, juntamente com as prefeituras na Região Metropolitana, possa construir alternativas e até uma empresa pública de transporte, com a participação do governo do Estado, dos municípios, guardadas todas as suas proporções, nessa construção, uma solução para o problema da mobilidade urbana na Região Metropolitana de BH”, afirmou.
Lopes também relacionou a mobilidade urbana às condições de trabalho e defendeu a redução da jornada sem redução salarial. Segundo ele, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada dos servidores públicos também teriam impacto sobre a qualidade dos serviços oferecidos à população.
“É importante o compromisso de garantir as 30 horas semanais para os servidores públicos. Isso aumenta a produtividade, gera mais empregos e garante que a condição de trabalho seja digna para o conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, e isso impacta diretamente na oferta de qualidade de serviço público”, disse.
O candidato afirmou ainda que sua experiência profissional e pessoal em diferentes municípios da Região Metropolitana o fez vivenciar os problemas de mobilidade.
“Sou natural de Belo Horizonte, tive a oportunidade de trabalhar em Betim, morando em BH, depois também trabalhar em Vespasiano, em Contagem, e sofri bastante com as consequências dessas políticas desastrosas relacionadas à mobilidade urbana. Chegou a hora de buscarmos alternativas. E essa alternativa tem que ser a partir da construção coletiva e compartilhada”, declarou.
Apesar das diferentes propostas, a integração entre os municípios apareceu como um dos principais pontos de convergência entre os cinco candidatos. Transporte, governança, saúde, saneamento e desenvolvimento econômico foram apresentados como áreas em que a atuação conjunta entre Estado e prefeituras pode ser determinante para enfrentar problemas que ultrapassam os limites municipais.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.
Jornalista formado pela UFMG e com MBA em Marketing pela PUCRS. Tem passagens por Esportudo, GRV Media e Grupo Globo, com coberturas relacionadas a esportes eletrônicos, futebol, MMA, basquete e atualidades.




