Escolhido por Kassab, Caiado precisará vencer o desconhecimento e se diferenciar de Flávio
Escolhido por ter maior penetração na centro-direita, a reboque do apoio declarado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Caiado terá que mostrar ao eleitorado ao que veio

Com críticas de Eduardo Leite e apoio de Ratinho Jr., a escolha do PSD pela pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para representar o partido na disputa pelo Palácio do Planalto coloca um desafio aberto à legenda de Gilberto Kassab – diferenciar o projeto do pré-candidato ao de Flávio Bolsonaro (PL) e vencer o desconhecimento Brasil afora.
Escolhido por ter maior penetração na centro-direita, a reboque do apoio declarado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Caiado terá que mostrar ao eleitorado ao que veio para não se tornar uma candidatura satélite do bolsonarismo.
Internamente, a pré-campanha entende que o diferenciador principal entre a Flávio e Caiado são as entregas feitas pelo governador durante sua vida política, o que, para Flávio seria “uma promessa”.
“Tanto Ratinho quanto Eduardo têm problemas em casa. Ratinho e Eduardo estão perdendo a eleição (nos estados), isso faz com que Caiado, além de não estar em um campo de centro majoritário, tenha sido escolhido”, avalia um interlocutor.
Para a fonte, há mais similaridades entre a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Caiado do que com a de Flávio Bolsonaro. “Tem entregas consistentes e comparáveis, Lula também. Os demais são promessas que podem ser reconhecidas, e promessas já ganharam eleições. Mas essa é a principal diferença”, defende.
O maior desafio para Caiado, conforme o marqueteiro do pré-candidato, Paulo Vasconcelos, é o desconhecimento Brasil afora. Ele faz um paralelo com a eleição entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), em 2014, pouco depois de Marina Silva (Rede).
“Aécio tinha sido presidente da Câmara, senador, governador de Minas por duas vezes e não era conhecido no Brasil – mesmo assim, na reta final da campanha, chegou com 48% dos votos no segundo turno”, relembra.
Vasconcelos lembra que Caiado também foi senador, deputado federal, governador e ainda chegou a disputar as eleições para presidente em 1989.
“Índice de conhecimento só acontece com comunicação em massa. Quando Lula tem 48% de intenções de voto e Flávio, 45%, isso é o teto deles. São ofertas reconhecidas para o eleitor. Em Belo Horizonte, em 2024, (Mauro) Tramonte chegou a ter 38% e terminou a corrida em quarto lugar, porque tinha alto nível de conhecimento”, explica.
“Em eleição, ganha quem erra menos”, finaliza o marqueteiro.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



