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Conheça a carreira política de Benedita da Silva, pré-candidata ao Senado do RJ

Primeira mulher negra a governar um estado brasileiro tenta retornar ao Senado mais de 20 anos após deixar a Casa

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Benedita da Silva é uma mulher negra com cabelos cacheados, curtos e escuros. Veste camisa branca.
Ex-senadora entre 1995 e 1999 agora tenta retornar à Casa nas eleições de 2026 • Marcos Oliveira/Agência Senado

Primeira mulher negra a governar o estado do Rio de Janeiro, ex-senadora, ex-ministra e uma das principais lideranças históricas do Partido dos Trabalhadores (PT). Todos essas definições são atribuídas à Benedita da Silva (PT), pré-candidata ao Senado Federal pelo Rio nas eleições de 2026.

Atualmente, é deputada federal, mas tenta retornar ao Senado, para o cargo que ocupou entre 1995 e 1999, agora como uma das apostas do campo governista para a disputa de uma das duas vagas fluminenses.

A pré-candidatura integra o grupo político que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a candidatura do prefeito Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio de Janeiro. Além do peso histórico de sua trajetória, Benedita chega à disputa, aos 84 anos, liderando entre os nomes nas pesquisas de intenção de voto para o Senado.

Nascida na extinta favela Praia do Pinto, foi criada na Chapéu Mangueira, na zona sul do Rio de Janeiro. Benedita trabalhou como empregada doméstica, auxiliar de enfermagem e alfabetizava moradores da favela, antes de ingressar na política.

Mesmo com dificuldades econômicas, não deixou de estudar e repassar seu conhecimento. Foi aos 40 anos que concluiu os cursos de Serviço Social e o de Estudos Sociais. Alfabetizada ainda na infância, concluiu os estudos e se formou em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Sua militância começou em movimentos comunitários, pastorais e organizações ligadas à defesa dos direitos das mulheres, da população negra e dos moradores de favelas. Em 1982, participou da fundação do PT e, quatro anos depois, foi eleita vereadora do Rio de Janeiro.

Pioneira na história do Brasil, em 1987, Benedita foi a primeira mulher negra eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro e participou da Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Na foto, Benedita assina a Constituição de 1988 • Divulgação/Agência Senado
Na foto, Benedita assina a Constituição de 1988 • Divulgação/Agência Senado

Em 1994, foi eleita senadora da República, também sendo a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Senado Federal. Durante o mandato, atuou em pautas relacionadas aos direitos humanos, combate ao racismo, inclusão social e políticas públicas voltadas às populações vulneráveis.

Em 1998 foi eleita vice-governadora do Rio, na chapa encabeçada por Anthony Garotinho. No início dos anos 2000, assumiu o governo do estado do Rio de Janeiro após a renúncia de Anthony Garotinho, que se lançou para a disputa a eleição da presidência da República. Com isso, se tornou a primeira mulher negra a governar um estado brasileiro.

Posteriormente, integrou o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ministra da Assistência e Promoção Social. Desde então, alternou mandatos na Câmara dos Deputados com atuação em pautas ligadas aos direitos das mulheres, da população negra, dos trabalhadores e dos moradores das periferias urbanas.

Segurança pública é destaque entre propostas

A segurança pública, pauta comum entre os políticos fluminenses, também é um dos temas centrais da campanha de Benedita para o Senado. A parlamentar defende uma política baseada em inteligência, integração entre os entes federativos e fortalecimento da presença do Estado nas comunidades.

É crítica às operações policiais de grande letalidade e argumentou que a segurança pública não pode ser construída apenas a partir da lógica do confronto armado. Na avaliação da pré-candidata ao Senado, ações pontuais sem planejamento e sem políticas permanentes de presença estatal não resolvem os problemas estruturais da violência no Rio de Janeiro.

Benedita também rejeita a ideia de que a repressão isolada seja capaz de solucionar a criminalidade. Para ela, a segurança pública envolve educação, saúde, geração de empregos e garantia de direitos sociais, além da atuação das forças policiais.

Costuma afirmar que o combate ao crime deve priorizar inteligência e estratégia, defendendo que “bandido bom é bandido preso”, e não morto.

Racismo, direitos humanos e inclusão econômica

Ao longo da carreira, Benedita construiu sua atuação política em torno da defesa dos direitos da população negra. Afirma que a desigualdade racial continua sendo um dos principais desafios do país e está diretamente relacionada aos índices de violência, pobreza e exclusão social.

A deputada sustenta que a população negra segue sendo a principal vítima das desigualdades históricas produzidas pelo processo escravocrata brasileiro. Em seus discursos, costuma associar o combate ao racismo à ampliação do acesso à educação, ao emprego e à renda.

Entre as propostas defendidas atualmente está a criação de um fundo nacional voltado à promoção econômica da população negra. Voltada ao financiamento de empreendimentos, pesquisas e projetos de inclusão produtiva, a iniciativa contaria com participação tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

Além disso, Benedita mantém atuação destacada em pautas relacionadas ao enfrentamento do feminicídio, à proteção das mulheres e à ampliação da representatividade feminina e negra nos espaços de poder.

O retorno de Benedita ao Senado em 2026

Mais de duas décadas após deixar o Senado Federal, Benedita da Silva tenta retornar à Casa em um momento de reorganização política no Rio de Janeiro. A candidatura é vista pelo PT como estratégica para fortalecer a base de apoio do presidente Lula e ampliar a representação do campo progressista no Congresso Nacional.

Ao defender sua pré-candidatura, Benedita afirma que o Rio de Janeiro precisa recuperar sua capacidade de desenvolvimento econômico e enfrentar problemas históricos como violência, desigualdade e exclusão social. Para ela, o estado possui potencial para voltar a crescer a partir de investimentos, geração de empregos e fortalecimento das políticas públicas.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

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