Como funciona a posse de deputados e senadores no Congresso Nacional
A cerimônia de primeiro de fevereiro marca o início oficial da legislatura e desencadeia a disputa imediata pelo comando da Câmara e do Senado

No dia 1º de fevereiro, o centro do poder em Brasília inicia um novo ciclo formal. É nesta data que deputados federais e senadores eleitos assumem seus mandatos no Congresso Nacional, inaugurando uma nova legislatura de quatro anos. Diferente da posse do chefe do Executivo, o rito parlamentar transcende a mera formalidade do juramento à Constituição. O evento define as forças que vão ditar o ritmo das votações, aprovar ou barrar projetos de lei e fiscalizar o governo federal durante todo o mandato representativo.
A escolha do primeiro de fevereiro no calendário republicano
O calendário político brasileiro estabelece uma separação clara de datas entre a posse do Poder Executivo e do Poder Legislativo. O objetivo constitucional dessa divisão é garantir a independência institucional de cada poder. Enquanto o presidente da República assume o cargo no início de janeiro, os parlamentares têm o mês inteiro para articular alianças políticas e blocos antes de assumirem definitivamente as cadeiras nas plenárias.
A Constituição Federal de 1988 determinou o primeiro dia de fevereiro como o marco zero das atividades parlamentares. Na linguagem do processo legislativo, essa data dá início à sessão legislativa ordinária, que é o período anual de trabalho do Congresso, e também à legislatura, que corresponde ao período completo de quatro anos de mandato dos deputados. O Senado, por ter mandatos de oito anos, renova sua composição de forma parcial a cada nova legislatura, alternando renovações de um terço e dois terços das cadeiras.
Essa janela de trinta dias entre as posses permite que o governo recém-empossado organize sua base de apoio antes que os trabalhos legislativos comecem de fato. É um período de intensa negociação nos bastidores, onde ministérios são loteados e compromissos firmados para garantir que, no momento da posse parlamentar, o Executivo já possua pontes de diálogo estabelecidas com as lideranças partidárias da nova composição legislativa.
O rito de juramento e a formalização do mandato
A cerimônia de posse segue um roteiro estrito ditado pelos regimentos internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na Câmara, a sessão preparatória é tradicionalmente conduzida pelo deputado mais idoso entre os que possuem o maior número de mandatos. Ele assume a presidência provisória da Casa com a missão exclusiva de comandar o juramento de seus pares de forma imparcial.
Durante o ato, os eleitos não fazem discursos individuais. O presidente provisório lê um compromisso formal de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis e promover o bem geral do povo brasileiro. Em seguida, o nome de cada parlamentar é chamado no microfone, e eles respondem apenas com a frase "assim o prometo". Esse ato vocal e presencial é a condição legal irrevogável para que o mandato passe a valer na prática processual.
Além do juramento verbal, os parlamentares entregam à Mesa Diretora o diploma expedido pela Justiça Eleitoral e a declaração de bens atualizada. Sem a apresentação desses documentos, o eleito fica impedido de assumir a cadeira. Após a chamada de todos os presentes e a assinatura do termo de posse, os deputados e senadores estão oficialmente investidos no cargo, ganhando acesso às prerrogativas parlamentares, como a imunidade material por suas opiniões, palavras e votos.
A disputa pelas mesas diretoras e o controle do Congresso
O verdadeiro peso político do dia primeiro de fevereiro acontece poucas horas após o término da cerimônia de posse. Os parlamentares recém-empossados participam da eleição das Mesas Diretoras, escolhendo os presidentes da Câmara e do Senado, além dos vice-presidentes e secretários que vão administrar as Casas pelos próximos dois anos de legislatura.
O presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do Senado detêm um poder gigantesco na engrenagem de Brasília: o controle absoluto da pauta. São eles que decidem quais projetos de lei, medidas provisórias ou pedidos de impeachment serão colocados em votação ou engavetados. Por isso, a eleição interna do Congresso mobiliza ministros de Estado, o Palácio do Planalto e governadores, que atuam fortemente para eleger aliados.
Para vencer a disputa, os partidos se organizam em blocos parlamentares. O tamanho de cada bloco define a proporcionalidade na distribuição dos cargos da Mesa Diretora e a liderança das comissões temáticas, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O xadrez político exige que os candidatos à presidência das Casas costurem acordos complexos, cedendo espaços estratégicos para garantir os votos secretos de seus pares nas urnas eletrônicas do plenário.
Regras constitucionais e prazos para o parlamentar
Quando os deputados e senadores eleitos tomam posse no Congresso?
A posse dos parlamentares federais acontece sempre no dia 1º de fevereiro do ano subsequente às eleições gerais. A data marca o início oficial da legislatura no Congresso Nacional e não pode ser antecipada, sendo um rito fixo e obrigatório.
O que acontece se o político eleito faltar no dia da posse?
O regimento estabelece um prazo de 30 dias para que o parlamentar tome posse, caso não compareça à cerimônia principal. Esse limite pode ser prorrogado por mais 30 dias em situações de força maior ou doença comprovada. Se o prazo expirar sem justificativa legal, o mandato é declarado vago e o suplente da coligação ou partido é convocado definitivamente.
A mudança na data de posse do presidente afeta deputados e senadores?
Não. A Emenda Constitucional nº 111, promulgada em 2021, alterou a posse do presidente da República para o dia 5 de janeiro e a dos governadores para o dia 6 de janeiro, com validade a partir de 2027. No entanto, o calendário do Poder Legislativo permaneceu intacto, mantendo a posse dos parlamentares federais no primeiro dia de fevereiro.
Deputados que assumem ministérios perdem o mandato?
A Constituição permite que deputados e senadores se licenciem do mandato para assumir cargos de ministro de Estado ou secretário estadual. Nesses casos, o parlamentar toma posse formalmente no Congresso em fevereiro e, logo em seguida, solicita a licença. A cadeira no Legislativo passa a ser ocupada pelo primeiro suplente do partido, e o titular pode retomar o mandato de origem quando desejar ou for exonerado do Executivo.
O funcionamento rigoroso dessa transição de poder garante a estabilidade institucional do país. Ao definir regras claras para o início dos mandatos, a legislação protege o funcionamento do Legislativo contra vácuos de representação e assegura que a vontade popular depositada nas urnas seja traduzida, sem atrasos, na composição das forças políticas que vão governar e fiscalizar o Brasil.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.



