Com campanha de Kalil frustrada e apenas uma deputada eleita, PDT tem o 'voto mais caro' nas eleições mineiras
O partido foi quem mais gastou em proporção à votação obtida para todos seus candidatos entre todas as legendas que lançaram postulantes ao Governo do Estado; os dados do TSE mostram que cada cada voto pedetista custou cerca de R$ 31,13

Passada a eleição em Minas Gerais, resta aos partidos fazer um balanço sobre as estratégias que deram certo e as que deram errado e como o financiamento das campanhas significou resultados nas urnas. Entre as legendas que lançaram candidatos ao Governo de Minas, o PDT foi a que pagou mais caro pelos votos se considerados os recursos despendidos com os candidatos e a resposta dos eleitores nas urnas. As informações levantadas pela Itatiaia no portal de dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a direção pedetista gastou R$ 31,13 para cada voto.
O PDT desembolsou R$ 14,2 milhões na campanha de Alexandre Kalil ao Governo de Minas, que terminou com 403.466 votos, um valor aproximado de R$ 35,29 gastos por voto. O partido investiu ainda R$ 7,2 milhões na chapa de candidatos a deputado federal, teve 152 mil votos, terminou sem eleger ninguém e pagando cerca de R$ 47,28 por voto.
Dra. Laís Santiago foi a única pedetista eleita em Minas neste ano. Ela fez parte de uma chapa de candidatos a deputado estadual que custou R$ 1.732.130,00 aos cofres do partido e obteve 188 mil votos, uma relação de R$ 9,19 gastos por voto.
O MDB aparece na sequência da lista dos partidos com candidatos ao Governo de Minas que mais gastaram por voto nesta eleição, com R$ 29,07 por voto.
Veja a tabela completa abaixo:
| PARTIDO | Valor de receita | Votos | Votos por receita |
| PDT | R$ 23.178.130,00 | 744.443 | R$ 31,13 |
| MDB | R$ 18.332.062,50 | 630.628 | R$ 29,07 |
| REPUBLICANOS | R$ 21.728.778,06 | 1.161.992 | R$ 18,70 |
| PL | R$ 94.131.115,43 | 13.199.385 | R$ 7,13 |
| PSD | R$ 35.329.860,29 | 5.917.289 | R$ 5,97 |
| PT | R$ 62.815.024,09 | 11.202.808 | R$ 5,61 |
| MISSÃO | R$ 267.317,94 | 211.386 | R$ 1,26 |
| UP | R$ 24.000,00 | 63.999 | R$ 0,38 |
* A votação do Republicanos não leva em consideração os 6,3 milhões de votos que elegeram Cleitinho Azevedo ao Governo de Minas, já que sua candidatura não usou recursos do fundo eleitoral.
A prestação de contas referentes ao 1º turno da eleição devem ser encaminhadas ao TSE até 3 de novembro. Os dados serão analisados sob o aspecto da legalidade, da conformidade e se os gastos realmente foram efetuados. Fabrício Souza Duarte, mestre em Direito público e advogado especialista em Direito administrativo e eleitoral, explica a auditoria das informações.
“As contas podem ser aprovadas, aprovadas com ressalvas ou desaprovadas, quando há irregularidades de natureza grave que impedem a verificação da transparência da campanha eleitoral. Uma consequência que é ainda pior, são as contas não prestadas, caso daqueles candidatos que apresentam contas muito desorganizadas que impossibilitam a auditagem, ou simplesmente não apresentam contas. Quando isso acontece, o tribunal emite decisão pela não prestação de contas e isso torna o candidato não quite com a Justiça Eleitoral. A quitação com a Justiça Eleitoral é uma condição de elegibilidade e ele vai ficar impedido de se candidatar até o término do mandato para o qual ele concorreu”, explica.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



