Itatiaia

Chuvas deixam 163 locais de votação sem energia em Minas; TRE monitora risco de atraso no transporte de urnas

Rajadas de vento chegaram a 150 km/h no Sul de Minas; 91 urnas foram substituídas e PM registrou 79 ocorrências eleitorais até as 14h

Por
Chuvas deixam 163 locais de votação sem energia em Minas; TRE monitora risco de atraso no transporte de urnas
Chuvas deixam 163 locais de votação sem energia em Minas; TRE monitora risco de atraso no transporte de urnas • Foto: Fabiano Frade | Itatiaia

As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais neste domingo (25), dia de votação, deixaram 163 locais de votação sem energia elétrica, segundo a Cemig. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) monitora os impactos do temporal, principalmente no Sul do estado, onde estradas de terra podem dificultar o transporte das mídias das urnas após o encerramento da votação, previsto para as 17h.

De acordo com Ernando Braga, vice-presidente de Distribuição da Cemig, as rajadas de vento chegaram a aproximadamente 150 km/h no Sul de Minas e a quase 90 km/h em Belo Horizonte. Até as 14h, 3,6% dos clientes da companhia estavam com o fornecimento de energia interrompido.

“É um evento atípico, um evento climático impactante”, afirmou Braga. Segundo ele, a companhia mobilizou mais de 2 mil profissionais para restabelecer o fornecimento de energia em todo o estado.

Dos quase 10 mil locais de votação em Minas, 163 estavam sem energia, o equivalente a menos de 2%. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, eram 65 pontos afetados, sendo 18 na capital.

Duas unidades do TRE-MG estavam funcionando com geradores, e a Cemig avaliava o deslocamento de equipamentos para locais considerados críticos.

Chuva pode atrasar transporte de mídias das urnas

O diretor-geral do TRE-MG, Rodolfo Pacheco, afirmou que as urnas eletrônicas contam com baterias capazes de manter a votação mesmo em caso de falta de energia. A preocupação é garantir condições adequadas aos eleitores e evitar dificuldades logísticas após o fechamento das seções.

“A urna vai estar funcionando com certeza, mas queremos mais do que isso. Queremos que ele tenha um ambiente em pleno funcionamento, com iluminação, com tudo”, disse Pacheco.

No Sul de Minas, estradas não pavimentadas podem ficar enlameadas e dificultar o deslocamento das equipes responsáveis pelo transporte das mídias com os resultados. Segundo o diretor-geral do TRE-MG, um trajeto que normalmente levaria 30 minutos pode passar a exigir 45 minutos.

Chuva forte em BH: árvores caem por causa do temporal • Vitor Brandão / Itatiaia
Chuva forte em BH: árvores caem por causa do temporal • Vitor Brandão / Itatiaia

“Em casos onde a mídia tiver que ser transportada, pode, sim, trazer algum embaraço. Uma estrada de terra pode estar ali com bastante lama. Isso dificulta um pouco o trajeto”, explicou.

O TRE-MG e a Polícia Militar monitoravam os pontos mais vulneráveis para organizar alternativas de transporte, caso necessário. Eventuais atrasos dependeriam das condições encontradas após o encerramento da votação.

Minas substitui 91 urnas eletrônicas

Até as 14h, 91 urnas eletrônicas haviam sido substituídas em Minas Gerais. No mesmo horário do primeiro turno, eram 89 equipamentos, segundo o TRE-MG.

O tribunal dispõe de uma reserva de aproximadamente 3 mil urnas para atender a eventuais necessidades.

Pacheco também destacou que a votação transcorria com menos filas do que no primeiro turno, quando os eleitores precisavam votar para seis cargos. Neste domingo, a disputa envolve apenas um cargo.

PM registra 79 ocorrências eleitorais

A Polícia Militar de Minas Gerais havia registrado 79 ocorrências relacionadas às eleições até o momento da coletiva. Vinte e cinco pessoas foram conduzidas, e dez registros envolviam situações relacionadas à violação do sigilo do voto, segundo o coronel Flávio Jackson Ferreira Santiago, diretor de Comunicação Organizacional da corporação.

O balanço do TRE-MG apontava 51 ocorrências consolidadas. A diferença ocorre porque o tribunal contabiliza os casos já consolidados, enquanto a PM apresenta também registros que ainda passam por apuração.

Segundo Santiago, a maioria das ocorrências estava relacionada à prática de boca de urna. Não havia candidatos envolvidos nos casos registrados até aquele momento.

Ao avaliar o andamento da votação, o coronel afirmou que o cenário era favorável. “Nós consideramos muito favorável”, disse, ao mencionar a conscientização dos eleitores e a presença das forças policiais.

A Polícia Militar informou que mantinha equipes em todas as seções eleitorais e que a inteligência integrada às demais forças de segurança trabalhava para identificar os responsáveis por episódios de violência eleitoral.

Polícia apura agressão contra vereadora em Montes Claros

Questionado sobre uma agressão envolvendo uma vereadora em Montes Claros, no Norte de Minas, o coronel afirmou que a Polícia Militar foi acionada e realizou os primeiros levantamentos no local.

Segundo o relato apresentado na coletiva, um objeto semelhante a um copo térmico teria sido arremessado contra a parlamentar. A corporação informou que buscava reunir registros e informações para contribuir com a identificação dos envolvidos.

“Todo e qualquer ato de violência nós lamentamos muito. A Polícia Militar foi acionada de pronto”, afirmou Santiago.

O coronel acrescentou que a inteligência policial trabalhava em conjunto com a Polícia Civil e outras instituições para identificar possíveis responsáveis e contribuir com a investigação.

Bombeiros atendem ocorrências com árvores e animais

O Corpo de Bombeiros registrou ocorrências relacionadas às chuvas, incluindo quedas de árvores em vias públicas, sobre veículos e em contato com a rede elétrica.

Entre os locais citados estão Pequi, Pirapora e os bairros Coração Eucarístico e Buritis, em Belo Horizonte. No Buritis, uma árvore caiu sobre um veículo, mas não houve vítimas.

Os bombeiros também atenderam a uma ocorrência envolvendo dois gambás com comportamento agressivo em uma rampa de acesso utilizada por eleitores em uma escola.

A comandante Amanda Cristina Miranda, representante do Corpo de Bombeiros no Gabinete Integrado de Segurança, destacou a atuação conjunta das instituições durante a votação.

“Essa integração de todas as forças de segurança junto com o TRE é fortalecida através desse gabinete. A gente soma, na verdade, multiplica esforços para que consiga levar à população uma eleição segura”, afirmou.

Até o momento da coletiva, não havia registro de desabamentos ou de árvores caídas diretamente sobre locais de votação. Algumas ocorrências, porém, afetavam vias próximas e poderiam dificultar o acesso dos eleitores.

O TRE-MG e as forças de segurança continuariam monitorando a situação e atualizando os dados ao longo do dia.

Por

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

Belo Horizonte