Ainda com arestas a serem definidas, prazo para convenções partidárias termina nesta 4ª
Ajustes finais nas composições dos partidos devem ocorrer durante todo o dia

O principal balanço das convenções partidárias que aconteceram nas últimas semanas é a incerteza. Sem definições sobre as cabeças de chapa para o Governo de Minas e para o Senado em vários dos grandes partidos, o cenário político mineiro segue em suspenso, a cerca de três meses da eleição geral deste ano. O prazo final para as siglas realizarem as convenções termina nesta quarta-feira (5), quando ajustes finais nas composições devem ocorrer durante todo o dia.
De acordo com o professor da PUC Minas e advogado especialista em direito eleitoral Lucas Neves, é necessário que partidos tenham definido, ao menos, a escolha do candidato até a data do fim das convenções, assim como aprovação de coligações, escolha de vices ou suplentes, além de ter formalizado a ata da convenção junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Nas convenções partidárias, os partidos e federações precisam deliberar sobre matérias que a legislação exige que sejam decididas antes do pedido de registro das candidaturas. O registro (até o dia 15 de agosto, conforme o calendário eleitoral) serve para formalizar perante a Justiça Eleitoral o que foi decidido na convenção, e não para substituir essas deliberações”, pontua. As exceções são eventual substituição de candidatos, renúncia à candidatura, falecimento ou preenchimento de vagas remanescentes autorizado pela convenção.
A única definição concreta foi a escolha de Patrus Ananias (PT) para concorrer ao Palácio Tiradentes, cessando uma longa indefinição por parte do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que era o “plano A” para o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais. Mateus Simões (PSD) também foi fixado como candidato na convenção de seu partido, além de Gabriel Azevedo (MDB), que também teve o nome confirmado no evento.
O nome de Cleitinho Azevedo (Republicanos), que viveu um vai-e-vem nos últimos dias entre se dizer candidato ao Governo de Minas e ser barrado pelo partido, não ficou definido na convenção do Republicanos, que foi apenas o primeiro capítulo de um drama que deve se estender até o prazo final para o registro das candidaturas, em 15 de agosto.
No PL, de Flávio Bolsonaro, também não foi fixada, na convenção, o apoio ou lançamento de uma candidatura própria para o Governo de Minas. Após incerteza em relação a Cleitinho, aventou-se na legenda a possibilidade de apoio a uma candidatura do ex-secretário de Romeu Zema (Novo) Marcelo Aro (PP), que rompeu com o governador Mateus Simões (PSD) após tensões internas envolvendo o lançamento de sua candidatura ao Senado.
Ainda há a possibilidade de uma candidatura própria ser lançada, com os principais nomes colocados sendo o do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, e o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Ambos eram cotados também para a vice-governadoria em uma chapa com Cleitinho.
A convenção da federação União-PP também não firmou a candidatura de Aro ao Palácio Tiradentes, apesar de o ex-secretário de Romeu Zema ter discursado como se candidato fosse no púlpito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. No evento partidário, ficaram em abertas as definições sobre a chapa majoritária, com lançamento apenas de nomes à Câmara Federal e ao Legislativo mineiro.
Ao centro, o PDT e o MDB definiram nomes para o Governo de Minas, com candidaturas lançadas do ex-prefeito Alexandre Kalil e do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, respectivamente. Contudo, costuras para a chapa majoritária ainda estão em aberto em ambas siglas.
O PSDB, de Aécio Neves, também terminou a convenção partidária sem indicar apoio a alguma candidatura ao governo, nem fixou nomes ao Senado. Na convenção, o presidente estadual tucano, Paulo Abi-Ackel, afirmou que só não faria uma composição com o PT e o PSD. "Todos os demais candidatos, exceção ao PT e ao Mateus Simões, com quem nós não temos conversado, são alternativas", disse o dirigente, ao ser questionado sobre possíveis caminhos caso uma aliança com o PDT não avance.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



