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Dois em cada três prefeitos eleitos na RMBH no domingo representam a situação

Dos 11 prefeitos reeleitos, apenas um teve percentual de votação em 2024 inferior ao alcançado há quatro anos

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Marília Campos, Heron Guimarães e João Marcelo Dieguez são prefeitos de Contagem, Betim e Nova Lima, respectivamente • Reprodução

Dois em cada três prefeitos eleitos neste domingo (6) nas 33 cidades do interior que integram a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) representavam a situação, pois foram 11 reeleições e dez candidatos vitoriosos apoiados pelos atuais mandatários nos respectivos municípios. A lista de opositores que levaram a melhor no pleito é composta por 12 nomes.

Os outros dez prefeitos reeleitos no último domingo na RMBH alcançaram percentual de votação superior ao que tiveram quando da eleição. A maior aprovação foi alcançada por Elvis Presley (PSD), que em 2020 virou prefeito de Capim Branco com 38,43% e seguirá no cargo por ter recebido 93,49% dos votos válidos.

Situação bem parecida foi vivida por João Marcelo (Cidadania) em Nova Lima. Há quatro anos ele chegou ao cargo recebendo 38,21% dos votos. No último domingo, esse percentual mais do que dobrou e foi de 85,60%.

Em Mateus Leme, Dr. Renilton (Republicanos) também quase dobrou a sua votação. Em 2020 teve a preferência de 42,40% dos eleitores da cidade. Este ano seu percentual foi de 83,56%.

Segundo turno

Nas cidades da Região Metropolitana, fora a capital, em que se poderia ter segundo turno, pois têm mais de 200 mil eleitores, a situação foi resolvida no último domingo. E apenas em Contagem, Marília Campos (PT) era candidata à reeleição, alcançada com um percentual de votos de 60,69%, quase dez pontos a mais que os 51,35% que a elegeram em 2020. Em Betim e Ribeirão das Neves, o atual prefeito fez o seu sucessor.

Em Neves, Junynho Martins (União Brasil), que deve se candidatar a deputado federal em 2026, fez uma grande aliança e elegeu Túlio Raposo (PP), que foi o seu secretário de obras em praticamente todo o mandato.

O vice de Túlio Raposo, Delei (Republicanos), era oposição em 2020 e teve 26,41% dos votos, ficando na segunda colocação, pois Juniynho Martins foi reeleito com 54,23% dos votos válidos.

Isso explica o percentual de 81,61% que a chapa encabeçada por Túlio alcançou no último domingo, pois a somatória dos percentuais de Junynho (54,23%) e Delei (26,41%) há quatro anos dá 80,64%.

Betim teve uma situação praticamente oposta, pois o atual prefeito, Vittorio Medioli (sem partido), vencedor em 2016 e 2020, não podia concorrer à reeleição e lançou Heron Guimarães (União Brasil) como seu candidato.

O adversário foi Dr. Vinícius (PV), que foi o vice de Medioli em 2016, e que contou com o apoio do PT de Maria do Carmo, uma liderança política de esquerda da cidade que ela administrou de 2009 a 2012. Antes, tinha sido eleita deputada federal por três vezes (1998, 2002 e 2006).

Há quatro anos, Medioli foi reeleito em primeiro turno recebendo 76,34% dos votos válidos, com Maria do Carmo ficando na segunda colocação com 14,41% e Dr. Vinícius em terceiro, com apenas 3,56%.

Esta eleição de 2024 também foi definida no primeiro turno, mas de forma mais apertada, pois Heron teve um percentual de 52,46% contra 38,22% de Dr. Vinícius.

Sequência

Além de Betim e Ribeirão das Neves, outras oito cidades da Região Metropolitana tiveram os candidatos da situação vencedores no último domingo. O destaque fica para Vespasiano, onde a vitória com 44,36% dos votos válidos de Zé Wilson (PSDB), que é o atual vice, consolida Ilce Rocha (PSDB), a atual prefeita, e sua filha, Nayara Rocha (Progressistas), que é deputada estadual, como as maiores lideranças políticas da cidade.

Isso porque a principal concorrente foi Marta Murta (PSD), esposa de Carlos Murta (MDB), que já administrou a cidade por cinco mandatos, mas está inelegível por decisão da Justiça Eleitoral de setembro do ano passado. Ela teve 26,60% dos votos e por pouco não perdeu o segundo lugar para Dadson Fial (PL), que teve 23,83%.

Em mais cinco cidades o prefeito conseguiu eleger o seu vice. Isso aconteceu em Caeté (Alberto Pires/Avante), Itatiaiuçu (Romer Soares/Cidadanis), Lagoa Santa (Breno Salomão/Cidadanis), São José da Lapa (Márcia Lopes/PP) e Sarzedo (Ritinha/PP).

Em Itaguara, Luan (PL), era o secretário de obras de Chumbinho. Já em São Joaquim de Bicas, Guto Resende apoiou o vereador Matheus Resende (PP).

Oposição

Foram 12 os candidatos de oposição que venceram as eleições municipais na RMBH no último domingo, e o destaque é Dinis Pinheiro (Republicanos), que venceu em Ibirité com 73,15% dos votos válidos. Ele foi por duas vezes (2006 e 2010) o deputado estadual mais votado em Minas Gerais. Presidiu a Assembleia Legislativa por duas vezes e chegou a ocupar interinamente o Governo do Estado. Nas eleições de 2014 e 2018 ele foi derrotado, quando concorreu a vice-governador e senador, respectivamente, e agora “toma” da oposição a cidade que é o berço político da sua família.

Em Pedro Leopoldo, os 68,79% dos votos que Emiliano (PP) teve derrotaram um grupo que contava com os últimos quatro prefeitos da cidade. Santa Luzia teve história parecida, com o vereador Paulo Bigodinho (Avante) levando a melhor sobre Wander do Delegado (PSD), que foi indicado pelo Delegado Christiano Xavier (PSD), que se reelegeu em 2020, mas dois anos depois ganhou para deputado estadual e deixou o cargo.

Em Sabará, Wander Borges (PSB), não conseguiu fazer seu sucessor, pois Professor Costela (PSD) foi derrotado pelo Sargento Rodolfo (Republicanos), que teve 62,13% dos votos válidos.

Matozinhos teve uma vitória apertada, mas histórica de Italo Borges (PSD), que superou Antônio Divino (PSDB), político de muita tradição no Vetor Norte e que foi o único a vencer uma reeleição na cidade, com os mandatos conquistados em 2012 e 2016. Além disso, ele já foi prefeito de Capim Branco e procurador jurídico de São José da Lapa.

As outras cidades em que a oposição saiu vitoriosa foram: Brumadinho (Gabriel Parreiras/PRD), Jaboticatubas (Racly Andrade/Solidariedade), Juatuba (Ted/PSD), Mário Campos (Professora Andresa/PSB), Nova União (Waldir Caetano/PSD), Raposos (Guilherme Bitencourt/Cidadania) e Rio Mando (Dadá/Avante).

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro