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Dosimetria vai reduzir pena de Bolsonaro? Entenda o texto aprovado na Câmara

Proposta polêmica foi aprovada durante a madrugada na Câmara dos Deputados

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Jair Bolsonaro (PL) • Reprodução

Durante votação intensa na Câmara dos Deputados na madrugada, o PL da Dosimetria (substitutivo ao PL 2162/23) foi aprovado por 291 votos a 148.

Entre os principais pontos, estão:

  • proibição da cumulação automática de penas quando os crimes forem praticados “no mesmo contexto”;
  • possibilidade de considerar o crime como cometido em “contexto de multidão”, o que permite redução de pena de 1/3 a 2/3, caso não haja liderança nem financiamento;
  • revisão das regras de progressão de regime e remição de pena, inclusive para regime domiciliar.

O PL chega em Bolsonaro?

O projeto foi elaborado com o objetivo de alcançar os condenados pelos crimes julgados no contexto do 8 de janeiro, e isso inclui o ex-presidente.

A proposta destina-se a casos relativos aos atos antidemocráticos e tentativa de golpe, e Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por esses crimes.

A legalidade do projeto pode ser discutida na Justiça. Como ele altera a forma de calcular penas, e não concede anistia de forma explícita, o Congresso pode fazer esse tipo de mudança. Mas, existe margem para questionamentos de inconstitucionalidade.

Até agora não há uma decisão judicial interrompendo o PL, mas a discussão deve ser caótica se aprovado.

Como a pena de Bolsonaro pode ser afetada

Se o PL for sancionado e entrar em vigor com esses critérios, a pena de 27 anos e 3 meses poderia cair, segundo o relator, a parte referente à soma dos crimes de “golpe de Estado” e “abolir violentamente o Estado Democrático de Direito” deixaria de ser acumulada. Apenas a pena maior seria aplicada.

Com isso, há estimativas de que o tempo de prisão em regime fechado cairia para aproximadamente 2 anos e 4 meses.

A retroatividade da lei beneficia condenados cujas penas foram fixadas antes da nova lei, algo liberado pelo ordenamento jurídico se a mudança trouxer vantagem ao réu. O substitutivo prevê essa aplicação retroativa.

Isso também poderia acelerar a progressão de regime e até permitir regime domiciliar ou semiaberto mais cedo do que o previamente calculado.

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Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia.

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