Dois requerimentos na Alesp pedem apuração de ataques a Erika Hilton
Além da representação no Conselho de Ética, a deputada estadual Ediane Maria afirmou que abrirá também um pedido de investigação por racismo e transfobia no Ministério Público

Pela segunda vez, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi alvo de ofensas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Os episódios resultaram em dois requerimentos no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar contra duas deputadas estaduais do PL: Valéria Bolsonaro e Fabiana Bolsonaro.
Os pedidos foram apresentados a pedido da deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP). O primeiro deles foi motivado por declarações de Valéria consideradas transfóbicas e direcionadas a Hilton.
A parlamentar, que é prima "agregada" do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), questionou, durante a 23ª Sessão Extraordinária da Alesp, na última quinta-feira (12), a capacidade de Erika Hilton, como mulher trans, de presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.
Já nesta quarta-feira (18), outro pedido foi aberto, desta vez contra a deputada Fabiana Bolsonaro — que não possui parentesco direto ou indireto com a família do ex-presidente.
Fabiana pintou o rosto de marrom durante a sessão no plenário, prática conhecida como "blackface", considerada racista por remeter a estereótipos usados para ridicularizar pessoas negras.
A deputada justificou o ato como uma encenação para argumentar que mulheres trans não seriam mulheres, apesar de usarem maquiagem.
Ela afirmou que, como pessoa branca, se passasse tinta no rosto, não se tornaria alguém que entende as lutas raciais da comunidade negra. “Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Não estou ofendendo nenhum transexual. Estou dizendo que eu sou mulher. A mulher do ano não pode ser transexual”, disse.
Além da representação no Conselho de Ética, Ediane Maria afirmou que abrirá também um pedido de investigação por racismo e transfobia no Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A Itatiaia procurou a assessoria da deputada Erika Hilton, que informou que ela não irá se manifestar sobre o caso.
Desde que foi eleita para presidir o colegiado na Câmara, Hilton tem sido alvo de diversos ataques transfóbicos. Um deles foi exibido na televisão, durante a transmissão do Programa do Ratinho, no SBT, em que o próprio apresentador afirmou que, por não ser uma mulher cisgênero, a deputada não teria condições de presidir a Comissão de Defesa da Mulher.
Na última sexta-feira (13), o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação contra o SBT e contra o apresentador pelas declarações. O órgão pede que a emissora e o comunicador sejam condenados a pagar uma multa de R$ 10 milhões, a título de indenização por danos morais coletivos, e que a íntegra do programa seja retirada do ar.
O Ministério das Comunicações também abriu investigação para apurar as falas contra Erika Hilton. A representação administrativa será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad).



