Deputada do PL é acusada de ‘blackface’ em protesto contra Érika Hilton
A deputada estadual Mônica Seixas acusou a colega de fazer “blackface”, prática em que uma pessoa branca se pinta de preto para debochar de pessoas negras e a acusou de crime de racismo

A deputada estadual por São Paulo, Fabiana Bolsonaro (PL), se “maquiou como uma mulher negra” para protestar contra mulheres trans na Tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo, em sessão plenária nesta quarta-feira (18). Ela cita o fato de a deputada federal Érika Hilton (PSOL) ter ocupado o cargo de presidente da Comissão das Mulheres da Câmara dos Deputados como justificativa para o protesto.
Durante o discurso, ela chegou a dizer que por se “pintar de negra”, não poderia entender o racismo que incide contra essa população, assim como, na visão dela, uma mulher trans não poderia “se travestir de mulher”.
Imediatamente, a deputada estadual Mônica Seixas acusou a colega de fazer “blackface”, prática em que uma pessoa branca se pinta de preto para debochar de pessoas negras e a acusou de crime de racismo.
"A gente viu agora, nesta semana, na Comissão Federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher. Isso me entristece muito. Não porque ela, uma trans está como presidente, mas porque uma trans está tirando o espaço de fala de uma mulher", declarou.
Na sessão desta quarta-feira, a parlamentar - que não tem nenhuma ligação familiar com Bolsonaro - subiu à tribuna da Alesp e começou a passar uma maquiagem marrom no rosto e nos braços. A deputada estadual disse que estava se maquiando "como uma pessoa negra" para fazer "experimento social".
"Eu pergunto pra você: eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que vivi como pessoa branca. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. Eu pergunto: eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra, que jamais deveria existir?", discursou.
"Eu me pintando de negra, sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo, por não conseguir um trabalho?", questiona a parlamentar.
A deputada utilizou essa explicação para dizer que ela não pode representar os negros. Da mesma forma, a parlamentar afirmou que a deputada federal Erika Hilton, uma mulher trans, não tem representatividade para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da deputada federal Érika Hilton, que informou que ela não vai se pronunciar por ora. A deputada estadual Ediane Maria, que também atua na Alesp, está à frente de sua defesa e informou que vai tomar “medidas cabíveis”.



