Deputada denuncia Simões ao MPMG por fala considerada racista
Simões, ao se referir ao governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ter “inveja branca” do correligionário

A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) protocolou, nesta quarta-feira (22), uma denúncia no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), por uma declaração feita durante a cerimônia oficial de entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, nessa terça-feira (21), que foi considerada racista.
Simões, ao se referir ao governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ter “inveja branca” do correligionário pela nomeação da primeira mulher para comandar a Política Militar em São Paulo. A expressão é considerada de cunho racista por associar a cor branca a algo superior.
A representação argumenta que o alcance da declaração é potencializado por três fatores. O primeiro é por ter ocorrido durante a entrega da maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais, além de ter sido preferida na presença de “diversas autoridades durante o ato solene”.
“Por tratar-se de um evento de Estado, a declaração foi registrada em vídeo e amplamente difundida pelos veículos de comunicação, inclusive no canal oficial do Governo, atingindo milhões de cidadãos e consolidando o dano social da expressão discriminatória”, diz o texto.
Na peça, a deputada estadual requer ao MPMG a apuração sobre possível crime de racismo, garantindo que “o prestígio do cargo não sirva de salvo-conduto para práticas discriminatórias, como ocorreu no dia 21 de abril, durante a entrega da Medalha da Inconfidência Mineira”.
Ainda é requerido que o governador seja condenado a pagar indenização por danos morais coletivos, cujos recursos devem ser destinados a programas e instituições mineiras que atuam diretamente no enfrentamento ao racismo e na educação para as relações étnico-raciais.
Por fim, o documento pede que o órgão analise a conduta através da Lei de Improbidade Administrativa, por violação aos princípios da moralidade e legalidade. A deputada argumenta que Simões “utilizou um evento oficial e recursos do Estado para propagar discurso incompatível com os valores constitucionais de igualdade”.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa de Mateus Simões, mas não houve retorno até a publicação.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
