CPMI do INSS: base ameaça contra-atacar com relatório paralelo
Documento deve apontar núcleos criminosos, servidores envolvidos e propor indiciamentos

A base governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS já articula uma resposta política para contestar o relatório final da comissão. O plano é apresentar um relatório paralelo com conclusões próprias sobre o esquema de fraudes em descontos associativos e empréstimos consignados.
A estratégia foi confirmada pelo deputado Paulo Pimenta nesta segunda-feira (23), que desde o início dos trabalhos já sinalizava a possibilidade de um documento alternativo caso houvesse divergência com o parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar. Agora, segundo ele, o material já está em produção, mas só será apresentado após a divulgação do relatório oficial.
Segundo Pimenta, o documento da base deve detalhar uma estrutura organizada de fraude dentro do INSS, com a identificação de “nove núcleos” de atuação criminosa, além de um grupo de servidores públicos. A promessa é de individualização de condutas e proposta de indiciamento dos envolvidos.
O deputado afirma que o relatório vai reconstruir, de forma cronológica, mudanças normativas que teriam facilitado o acesso de entidades irregulares a dados do INSS, permitindo descontos indevidos em benefícios de milhões de segurados. Ainda de acordo com ele, o material deve apontar servidores que teriam atuado diretamente no esquema, além de empresas e entidades utilizadas para simular prestação de serviços e lavar dinheiro: “Vamos demonstrar o papel de cada pessoa e propor indiciamentos com base em provas consistentes”, afirmou.
Outro ponto é a crítica direta à condução da oposição na CPMI. Ele acusa parlamentares de desviarem o foco da investigação para pautas políticas e eleitorais, além de tentativas de expor temas irrelevantes ao objeto da comissão. O deputado também rejeitou qualquer tentativa de vincular pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, às irregularidades investigadas, afirmando que não há documentos ou indícios nesse sentido.
Se o documento oficial não trouxer indiciamentos ou conclusões robustas, a base governista deve usar o relatório paralelo.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
