A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira (19), a realização de audiências para ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Os requerimentos foram apresentados pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG). As datas dos depoimentos ainda não foram definidas.
Durante as investigações, parlamentares relataram indícios de fraudes, como a liberação de empréstimos em nome de pessoas falecidas e menores de idade, além de cobranças consideradas abusivas de juros. Por se tratar de convite, os dois ex-dirigentes do Banco Central não são obrigados a comparecer.
Na mesma reunião, a CPMI também aprovou o compartilhamento de informações com a CPI do Crime Organizado. O pedido envolve dados obtidos a partir da quebra de sigilo de Fabiano Zettel, apontado como ligado ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A instituição financeira é investigada pela comissão por suspeitas de participação em fraudes relacionadas ao crédito consignado. O material inclui informações bancárias, fiscais e registros de comunicações.
Durante a sessão, o senador Carlos Viana criticou decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que têm autorizado investigados a não comparecerem às CPIs, com base no direito de não produzir provas contra si. Segundo ele, esse entendimento pode limitar o alcance das investigações parlamentares.
Apesar das dificuldades, Viana afirmou que a CPMI avançou nos trabalhos. De acordo com o senador, foram aprovados 21 pedidos de prisão, dos quais 14 já foram cumpridos. A comissão tem prazo para encerrar os trabalhos no dia 28 de março.