Celina Leão sobre crise no BRB: 'Cada um tem que ser responsabilizado pelo que faz'
Governadora em exercício afirma que investigações não a atingem, critica gestão anterior do BRB e diz que é contra privatização do banco

A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou em entrevista à CNN nesta segunda-feira (20), que as investigações sobre a gestão do Banco de Brasília (BRB) devem responsabilizar diretamente os envolvidos, sem atingir sua atuação. Em meio à crise, ela também rejeitou a possibilidade de privatização do banco, criticou a gestão anterior e fez cobranças ao governo federal.
Celina Leão destacou que as apurações em andamento estão avançando sobre os responsáveis por eventuais irregularidades no banco e afastou qualquer envolvimento pessoal: “As investigações estão chegando a quem está envolvido no assunto e não chegarão a mim. Cada um tem que ser responsabilizado pelo que faz”, afirmou.
Contra a privatização e defesa do banco
A governadora se posicionou contra a privatização do BRB, argumentando que a medida não se aplica a instituições financeiramente estáveis. Segundo ela, o banco não apresenta prejuízos recorrentes e tem papel relevante na arrecadação e no desenvolvimento econômico do Distrito Federal: “Você tem que privatizar o que dá prejuízo ao estado de forma contínua, e não é o caso do BRB”, disse.
Celina classificou a crise como um episódio pontual e afirmou que o banco gera cerca de R$ 1,7 bilhão em lucros com impostos. Também mencionou que, de acordo com levantamentos, a maioria da população do DF é favorável à manutenção do BRB como banco público. Ao abordar as causas da crise, Celina atribuiu responsabilidade à administração anterior do banco, comandada por Paulo Henrique Costa.
Sobre a recuperação da instituição, a governadora afirmou que há ações em curso, mas evitou detalhá-las por questões estratégicas. De acordo com ela, o banco segue as diretrizes do Banco Central e a nova gestão tem realizado reuniões frequentes para monitorar a situação.
Celina x Ibaneis e o cenário político
Questionada sobre o papel do governador Ibaneis Rocha, Celina afirmou que a responsabilidade será definida pelas investigações: “As investigações vão trazer à tona qual foi a participação dele. Ninguém pode ter compromisso com o erro de ninguém”, afirmou.
Ela também revelou que foi contrária, à época, à operação envolvendo o Banco Master, decisão defendida por parte da equipe econômica do governo: Apesar das críticas, ponderou que ações positivas da gestão não devem ser desconsideradas.
Celina Leão também direcionou críticas ao governo federal, apontando falta de apoio ao BRB e resistência de bancos públicos em negociar com a instituição: “Os únicos bancos que não querem negociar com o BRB são a Caixa e o Banco do Brasil. Parece que o governo quer que o BRB quebre”, afirmou. A governadora rejeitou a possibilidade de negociação com a União que envolva contrapartidas do DF e relembrou disputas anteriores no Congresso sobre o Fundo Constitucional: “Não há a mínima chance desse tipo de diálogo para recuarmos”, disse.
Ao comentar os efeitos da crise, Celina destacou o impacto sobre trabalhadores e investidores ligados ao banco e cobrou uma postura mais ativa do governo federal. Segundo ela, o apoio à instituição seria uma responsabilidade institucional, especialmente diante de precedentes de intervenções em outras instituições financeiras.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
