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Caso das joias: Moraes manda PGR analisar provas contra Wassef

Ministro cobra manifestação sobre material da PF envolvendo advogado de Bolsonaro antes de avaliar pedido de encerramento da investigação

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Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes • Antonio Augusto | STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (19) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise as provas reunidas pela Polícia Federal contra o advogado Frederick Wassef antes de qualquer decisão sobre o arquivamento do caso das joias sauditas.

A decisão foi tomada após a PGR solicitar o encerramento da investigação que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados.

Segundo Moraes, no entanto, o órgão não se manifestou sobre elementos específicos relacionados a Wassef, obtidos a partir da quebra de sigilo de aparelhos eletrônicos apreendidos com o advogado.

"Não houve manifestação Ministerial quanto ao citado material encaminhado pela Polícia Federal relativo ao investigado Frederick Wassef", escreveu Moraes.

De acordo com a investigação, Wassef teria atuado para recomprar, nos Estados Unidos, itens do acervo que haviam sido vendidos no exterior.

Entre eles está um relógio da marca Rolex, negociado anteriormente pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A peça fazia parte de um conjunto de presentes oferecidos pelo governo da Arábia Saudita ao Estado brasileiro.

Pedido de arquivamento

No último dia 3, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao STF o arquivamento da investigação.

Na manifestação, Gonet argumentou que não há uma legislação clara que defina a quem pertencem presentes recebidos pelo presidente da República no exercício do cargo.

Em julho de 2024, a Polícia Federal concluiu que Bolsonaro teria cometido crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos no caso. Segundo o relatório, a venda dos itens teve como objetivo o enriquecimento ilícito, com valores estimados em cerca de R$ 6,8 milhões.

Além do ex-presidente, outras 11 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal no inquérito.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.