Carnaval e política: veja marchinhas que ganharam as ruas alfinetando parlamentares e até presidentes
De Bolsonaro à Dilma Rousseff, as letras fazem alusões a escândalos envolvendo políticos brasileiros

“Ai meu Deus, me dei mal/ bateu na minha porta o japonês da federal/ Dormia o sono dos justos, raiava o dia, eram quase seis/ Escutei um barulhão, avistei um camburão/ O japonês então falou: vem 'pra' cá!/ Você ganhou uma viagem ao Paraná”.
"O Carnaval é um espaço propício de discussão política, e, não do ponto de vista institucional, partidário, mas como um lugar onde as pessoas estão mobilizadas em torno da alegria e podem colocar em pauta as questões que as incomodam e são normalmente as questões que estão ali, né? Naquele momento, naquele instante, é isso, carnaval é política também, porque tudo na vida é política. Todas as nossas questões estão envolvidas com o nosso ponto de vista político, como a maneira a gente, como a maneira que a gente atua socialmente no mundo".
Ela se refere Chiquinha Gonzaga, compositora de "Ô Abre Alas!". "Naquela ocasião, ela era uma mulher divorciada de dois casamentos, separada de dois casamentos, um filho de cada um e namorava um homem 36 anos mais novo que ela. Imagina no século XIX, como que seria visto? Se hoje isso já é olhado com uma perspectiva enviesada, imagina no final do século XIX? Então a gente tem que pensar nessa potência das marchinhas, né? Como um lugar de discussão, de questionamento e, ao mesmo tempo, de vibração, de festejo", afirmou.
Baile do Pó Royal
A marchinha "O Baile do Pó Royal", campeã do Concurso Mestre Jonas, ironiza sobre a apreensão de mais de 400 quilos de cocaína no helicóptero da família do ex-senador mineiro Zezé Perrella (MDB) em 2013.
"O pó rela nos pés / O pé rela no pó / Esse pó é de quem tô pensando? / Ah, é sim! Ah, é sim! / Você sabe eu também sei de cor / Ah, é sim! Ah, é sim! / Não espalha que vai ser melhor".
Na Coxinha da Madrasta
"Não sei se é ladrão, pervertido ou pederasta/ Tem gente metendo a mão / Na coxinha da madrasta / Milhares de reais por mês / 'Pro' lanchinho do burguês / O nosso dinheiro ele gasta / Na cozinha da madrasta".
Tia Wilma É Ciclista
"A tia Wilma pedalou por todo mundo / E agora já não tem para onde ir / Cuidado tia Wilma, não se canse / É bom descansar para não cair".
'Tomar no Cunha'
Durante o mesmo período, outra figura importante no impeachment de Dilma Rousseff, além da própria ex-presidente, foi o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PRD).
"Fecharam todos os bares da cidade / Só sobrou o bar do Cunha / Dizem que a cerveja é gelada / Vou atrás dessa parada / Sem beber não vou ficar! / Vou tomar no Cunha, enquanto lá ainda não fecha / É melhor eu não dar brecha / Sem beber não vou ficar!".
Passa Pano
"Essa galera do passado vive passando vergonha / Já passaram do limite dando só passo pra trás / Mas não vai passar batido, não! Eu não passo pano! Se liga no recado: Não passarão!".
Zemané
No ano passado, o governador Romeu Zema (Novo), também recebeu marchinhas com críticas a sua gestão.
"Zemané 'cê' é sempre zemané / Larga a mão de ser cara de pau / Da minha serra, 'cê' tira o pé e não venha surfar no meu carnaval".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



