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Carnaval e política: veja marchinhas que ganharam as ruas alfinetando parlamentares e até presidentes

De Bolsonaro à Dilma Rousseff, as letras fazem alusões a escândalos envolvendo políticos brasileiros

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Carnaval de rua de BH é um dos maiores do país • Bruno Figueiredo/ Divulgação

“Ai meu Deus, me dei mal/ bateu na minha porta o japonês da federal/ Dormia o sono dos justos, raiava o dia, eram quase seis/ Escutei um barulhão, avistei um camburão/ O japonês então falou: vem 'pra' cá!/ Você ganhou uma viagem ao Paraná”.

— diz trecho da canção, escrita por Thiago de Souza, Dani Battistonni, Jabolinha, Gustavo Moscardi e Tigrão.

"O Carnaval é um espaço propício de discussão política, e, não do ponto de vista institucional, partidário, mas como um lugar onde as pessoas estão mobilizadas em torno da alegria e podem colocar em pauta as questões que as incomodam e são normalmente as questões que estão ali, né? Naquele momento, naquele instante, é isso, carnaval é política também, porque tudo na vida é política. Todas as nossas questões estão envolvidas com o nosso ponto de vista político, como a maneira a gente, como a maneira que a gente atua socialmente no mundo".

— afirmou para à Itatiaia.

Ela se refere Chiquinha Gonzaga, compositora de "Ô Abre Alas!". "Naquela ocasião, ela era uma mulher divorciada de dois casamentos, separada de dois casamentos, um filho de cada um e namorava um homem 36 anos mais novo que ela. Imagina no século XIX, como que seria visto? Se hoje isso já é olhado com uma perspectiva enviesada, imagina no final do século XIX? Então a gente tem que pensar nessa potência das marchinhas, né? Como um lugar de discussão, de questionamento e, ao mesmo tempo, de vibração, de festejo", afirmou.

Baile do Pó Royal

A marchinha "O Baile do Pó Royal", campeã do Concurso Mestre Jonas, ironiza sobre a apreensão de mais de 400 quilos de cocaína no helicóptero da família do ex-senador mineiro Zezé Perrella (MDB) em 2013.

"O pó rela nos pés / O pé rela no pó / Esse pó é de quem tô pensando? / Ah, é sim! Ah, é sim! / Você sabe eu também sei de cor / Ah, é sim! Ah, é sim! / Não espalha que vai ser melhor".

Na Coxinha da Madrasta

"Não sei se é ladrão, pervertido ou pederasta/ Tem gente metendo a mão / Na coxinha da madrasta / Milhares de reais por mês / 'Pro' lanchinho do burguês / O nosso dinheiro ele gasta / Na cozinha da madrasta".

Tia Wilma É Ciclista

"A tia Wilma pedalou por todo mundo / E agora já não tem para onde ir / Cuidado tia Wilma, não se canse / É bom descansar para não cair".

'Tomar no Cunha'

Durante o mesmo período, outra figura importante no impeachment de Dilma Rousseff, além da própria ex-presidente, foi o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PRD).

"Fecharam todos os bares da cidade / Só sobrou o bar do Cunha / Dizem que a cerveja é gelada / Vou atrás dessa parada / Sem beber não vou ficar! / Vou tomar no Cunha, enquanto lá ainda não fecha / É melhor eu não dar brecha / Sem beber não vou ficar!".

Passa Pano

"Essa galera do passado vive passando vergonha / Já passaram do limite dando só passo pra trás / Mas não vai passar batido, não! Eu não passo pano! Se liga no recado: Não passarão!".

Zemané

No ano passado, o governador Romeu Zema (Novo), também recebeu marchinhas com críticas a sua gestão.

"Zemané 'cê' é sempre zemané / Larga a mão de ser cara de pau / Da minha serra, 'cê' tira o pé e não venha surfar no meu carnaval".

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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