Cacique Raoni diz que pedirá a Lula para não explorar petróleo na Amazônia
O líder indígena afirmou em entrevista que espera receber o presidente em abril na sua terra

O cacique Raoni, considerado o líder indígena mais respeitado no Brasil, afirmou em entrevista à AFP que vai exigir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixe de apoiar a exploração de petróleo perto da Amazônia.
“Vou falar com eles para que busquem evitar um problema maior no futuro. Nosso criador nos observa. Tem pessoas que pensam em destruir a natureza, rios. Como seres humanos, temos uma origem única e devemos viver em harmonia, proteger a natureza para o bem viver de indígenas e não indígenas”, disse.
“Pedirei a ele que não incentive esse projeto de exploração de petróleo na Amazônia”, afirmou Raoni.
O líder dos kayapó, povo que habita principalmente uma reserva na floresta amazônica, não recua em sua luta iniciada há décadas, que o levou a denunciar perante os poderosos do mundo as ameaças sofridas pelos povos indígenas por ações do homem branco, como o desmatamento e o garimpo ilegal.
Ele espera a visita de Lula no começo de abril, segundo seu entorno e autoridades locais, uma data não confirmada até o momento pelo governo.
“Já conversamos pessoalmente quando ele assumiu. Pedi para ele que não repetisse o que fez no passado, quando construiu a barragem de Belo Monte sem nos consultar. Agora Lula virá à minha terra e trataremos da demarcação dos territórios indígenas dos nossos parentes que ainda não a obtiveram. Eu vou continuar apoiando Lula para garantir o bem viver dos nossos parentes”, afirmou o cacique.
Nascido em data desconhecida, estima-se que Raoni, várias vezes mencionado como possível ganhador do prêmio Nobel da Paz, tenha cerca de 90 anos. Embora tenha se mudado para a cidade de Peixoto de Azevedo para cuidar da saúde, ele sempre viveu em Metuktire, uma aldeia de 400 habitantes às margens do rio Xingu.
O cacique kayapó Raoni Metuktire foi um dos representantes do povo brasileiro que subiram a rampa do Palácio do Planalto na posse de Lula e 1º de janeiro de 2023.
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