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As polêmicas do Brasil no Mercosul

País assume presidência do bloco com duas bandeiras polêmicas: empréstimos às nações vizinhas com recursos do BNDES e a volta da Venezuela ao grupo

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Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e presidente da Venezuela, Nicolas Maduro
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e presidente da Venezuela, Nicolas Maduro • Ricardo Stuckert

O Brasil assume a presidência do Mercosul na terça-feira (4) com duas bandeiras polêmicas: o empréstimo de recursos do BNDES à países vizinhos e a defesa da volta da Venezuela ao bloco. O primeiro pleito desagrada muitos brasileiros e o segundo irrita países do bloco.


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Crise

A economia da Argentina vai de mal a pior. A inflação aumenta quase que diariamente. Isso porque, o país gasta muito mais do que arrecada. Dentre as despesas estão subsídios de água, luz e transporte que são serviços mais baratos que no Brasil. Para arcar com as despesas, o país emite dinheiro e como a oferta de pesos é grande no mercado, a moeda fica desvalorizada. Um real equivale a cerca de 50 pesos. A título de exemplo, uma água mineral pequena custa 300 pesos argentinos.

Em situação difícil, o país atrai poucos investimentos e faltam dólares na Argentina. Há, inclusive, um limite pra comprar a moeda americana no país. O objetivo é, justamente, segurar o preço da moeda estrangeira. Cada cidadão pode comprar apenas US$ 200.

Socorro

O Governo Lula quer ajudar a Argentina a sair da crise e aposta duas formas: oferecer linhas de crédito para produtores brasileiros que exportam produtos pra Argentina e financiar obras de infraestrutura como a construção de um gasoduto.

A possibilidade de investir em países vizinhos irrita muitos brasileiros que reclamam de falta de investimentos em obras de infraestrutura no Brasil. Parlamentares de oposição querem intensificar a tramitação de projetos que proíbem, dificultam ou subordinam a concessão de empréstimos à países vizinhos ao Congresso Nacional.

Banido

O retorno da Venezuela ao bloco é outra polêmica. O país foi suspenso, em 2016, por não cumprir exigências como praticar uma tarifa externa comum e não eliminar barreiras tarifárias intrabloco. O país também foi punido por não respeitar a plena vigência das instituições democráticas e não respeitar direitos humanos e liberdades fundamentais. O Brasil, no entanto, defende que a Venezuela volte ao Mercosul, o que desagrada outros países do bloco. O governo venezuelano tem uma dívida com o Brasil, cujo pagamento não está sendo realizado.

Contra tudo e contra todos

Contra quase tudo e quase todos, o presidente Lula quer levar essas duas bandeiras polêmicas adiante o que, entre alguns integrantes do próprio corpo diplomático brasileiro, é considerada uma estratégia arriscada e de muito desgaste para o governo federal.

A coluna Em cima do fato vai ao ar, de segunda à sexta, às 8h15, no Jornal da Itatiaia Primeira Edição. Assista:


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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.