Itatiaia

Ao lado de Lula, Alcolumbre diz que ninguém pode ‘cantar de galo’ sobre preservação no Amapá

Presidente do Congresso, que é defensor da exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, diz que mundo não pode impor agenda de preservação sobre o estado

Por
Lula e Alcolumbre estão alinhados quanto a exploração de petróleo na Foz do Amazonas  • Ricardo Stuckert/PR

Em evento realizado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Macapá, capital do Amapá, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçou a ideia de que as decisões sobre preservação ambiental do estado devem partir dos “filhos do Amapá”. A fala foi uma crítica velada às avaliações do Ibama, responsável por analisar a liberação da permissão à Petrobras para explorar petróleo na Foz do Amazonas.

Alcolumbre, que defende a extração – posição alinhada com a de Lula –, ressaltou: “Não venha o mundo cantar de galo em relação à nossa capacidade de preservar. O mundo não pode impor ao Amapá nada na relação da preservação e da manutenção do meio ambiente”, disse.

A fala do senador opõe, mais uma vez, as duas alas do governo que se dividem sobre a possibilidade de exploração de petróleo na Margem Equatorial, no litoral do Amapá - do outro lado está a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Apesar de não se opor publicamente exploração por parte da petrobras, a ministra defende o trabalho técnico do Ibama.

A região a ser explorada tem grande potencial de conter reservatórios de petróleo, no entanto, a exploração é questionada por ambientalistas, em razão de possíveis danos ambientais.

O Plano Estratégico da Petrobras para o período 2024-2028 prevê investimentos de US$ 3,1 bilhões e a perfuração de 16 poços em toda a extensão da Margem Equatorial, que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. Contudo, a empresa só tem autorização do Ibama para perfurar dois deles, na Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte.

Ontem, em entrevista, Lula seguiu a posição de Alcolumbre e defendeu a continuidade da exploração. O presidente Lula também criticou o processo de liberação das licenças ambientais por parte do Ibama, classificando a avaliação do órgão ambiental como “lenga lenga” - a fala foi contestada por uma entidade de servidores do Ibama.

Lula no Amapá

O evento em Macapá foi um grande aceno do governo Lula ao novo presidente do Congresso Nacional. Além de defender a pauta da exploraçaõ de petroleo na região, o presidente também seu time de ministros para divulgar anúncios para a região, como a concessão de terras e investimentos em educação.

Acompanharam o presidente Lula na agenda os ministros Camilo Santana (Educação), Celso Sabino (Turismo), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), Sidônio Palmeira (Secom), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Jader Filho (Cidades), Marcio Macedo (Secretaria-geral) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

Durante o evento foram entregues 282 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. O empreendimento, cujo custo total foi R$ 23,3 milhões, é uma do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), planejada em 2007.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

Belo Horizonte