Além da liderança do PL, líder da oposição também faz pedido de proteção para lobista que denunciou Lulinha
Cabo Gilberto Silva quer que o Ministro da Justiça seja convocado para depor na Câmara dos Deputados

Após as revelações feitas pela empresária e lobista Roberta Luchsinger em entrevista à CNN Brasil, neste sábado (17), o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), anunciou uma série de medidas, segundo ele, para garantir a segurança da empresária e de seus familiares. A iniciativa se soma à do líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), que pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) proteção policial para Luchsinger e a abertura de investigação para apurar possíveis crimes cometidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e pelo ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT), um dos coordenadores da campanha à reeleição do presidente.
Cabo Gilberto informou ter protocolado pedidos de proteção junto à Polícia Federal (PF), ao Ministério da Justiça e à PGR. Segundo o parlamentar, a iniciativa foi motivada pelo relato de Roberta de que recebe cerca de 50 ameaças de morte por dia e de que suas filhas também estariam sendo ameaçadas de estupro. O deputado apresentou ainda um requerimento de informações ao ministro da Justiça, com prazo legal de 30 dias para resposta, e anunciou medidas para convocá-lo à Comissão de Segurança Pública e promover audiências públicas nas comissões de Direitos Humanos e de Defesa dos Direitos da Mulher.
O líder da oposição também afirmou ter acionado a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso não haja proteção por parte do Estado brasileiro, o parlamentar disse que pretende recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. "A oposição não vai esperar o governo decidir se a vida dela é conveniente", declarou.
Pedido de investigação contra Lula, Lulinha e Camilo
Em ofício encaminhado neste sábado (17) ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Sóstenes Cavalcante solicitou proteção policial imediata para Roberta Luchsinger e seus familiares, além da inclusão da empresária no Programa Federal de Assistência a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas (Provita). O parlamentar argumenta que as declarações da lobista à CNN podem contribuir para o aprofundamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o chamado "caso Lulinha".
No documento, o líder do PL afirma que Roberta passou a sofrer ameaças e intimidações após a exposição pública do caso. Segundo o parlamentar, a situação teria se agravado depois que Lula chamou a empresária de "pilantra". Em entrevista neste sábado, Luchsinger afirmou que a declaração do presidente colocou um "X na sua testa", aumentando o temor pela própria segurança e pela integridade de seus familiares.
Sóstenes sustenta que a proteção da empresária é necessária não apenas para preservar sua integridade física e psicológica, mas também para garantir a possibilidade de produção de provas e de colaboração com as investigações. O pedido tem como fundamento a Lei nº 9.807, de 1999, que estabelece medidas de proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas.
Além das medidas de segurança, o parlamentar solicita a instauração de um Procedimento Investigatório Criminal para identificar a origem e os responsáveis pelas supostas ameaças. O requerimento também pede o aprofundamento das investigações sobre os fatos relatados pela lobista e a apuração de eventuais crimes atribuídos a Lula, Lulinha e Camilo Santana.
O documento não detalha quais crimes teriam sido cometidos individualmente pelos três citados. Também não apresenta uma descrição específica da suposta participação do ex-ministro nos fatos.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



