Belo Horizonte
Itatiaia

Acordo de Mariana não será assinado nesta terça (5); próxima reunião está marcada para quinta (7) em BH

Segundo autoridades estaduais, valores oferecidos por mineradoras são menores que os sinalizados anteriormente

Por
Desastre da barragem de Fundão em Mariana (MG) • Antônio Cruz I Agência Brasil

A assinatura da repactuação do acordo de Mariana, que era aguadada para esta terça-feira (5), não será realizada hoje. Os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, que ameaçaram sair da mesa de negociação caso a repactuação não fosse fechada até a data, decidiram permanecer no debate. A coluna apurou que uma nova reunião, para discutir valores na repactuação brasileira, está marcada para quinta-feira (7), em Belo Horizonte.

Fontes dos governos estaduais e do governo federal disseram à coluna, na COP28, em Dubai, que o acordo está praticamente fechado, mas o problema é o valor. As partes reclamam que as mineradoras, Vale, BPH e Samarco, querem pagar menos do que foi sinalizado.

Dos R$ 120 bilhões totais do acordo, vinham sendo negociados R$ 60 bilhões em dinheiro novo, já que a outra metade, segundo as mineradoras, havia sido quitada em indezação e outras reparações. No entanto, na última reunião, realizada na semana passada, as empresas ofertaram apenas R$40 bi em novos recursos, enquanto o governo federal fez um recalculo e pede pede R$ 90 bilhões.

Fontes do governo de Minas esperam uma conclusão para o início do ano que vem e acreditam que seja "uma jogada" das mineradoras para abaixar o valor, diante do acréscimo pedido pela União. O governo do Espírito Santo tem pouca esperança de que o acordo seja fechado em breve.

Municípios

Já os municípios têm sido um agente de pressão na negociação brasileira. Apesar de estarem fora da mesa de repactuação, as 39 cidades reconhecidas como atingidas receberiam R$ 6,5 bi e estão dispostas a não aceitar menos de R$ 14 bilhões. Na ação internacional, que é movida na justiça inglesa, os municípios podem ser contemplados com cerca de R$ 40 bilhões.

Outro lado

Em nota, a BHP afirmou que "está absolutamente comprometida com as ações de reparação e compensação relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Por isso, participa ativamente das discussões de repactuação do TTAC e reforça que, desde 2015, esteve disposta a buscar, coletivamente, soluções que garantam uma reparação justa e integral aos atingidos".

Por

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.