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Coleiras com IA passam a monitorar saúde e comportamento de pets

Tecnologia já usada em fazendas e começa a chegar aos pets com promessa de diagnósticos rápidos

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Busto de cachorro da raça golden com coleira inteligente
Produtos apontam para um novo modelo de cuidado, mais preventivo e informativo • Reprodução

O avanço da inteligência artificial está também na forma como cães, gatos e até animais de produção são monitorados. As chamadas coleiras inteligentes já conseguem acompanhar dados de comportamento, atividade física e até possíveis sinais de doenças, e ampliam o controle da saúde animal.

“A inteligência artificial aplicada ao monitoramento animal transforma dados em informação útil, ajudando o tutor a entender melhor o comportamento do pet”, destaca o especialista em tecnologia e inovação Bruno Romano.

As coleiras têm sensores e sistemas de inteligência artificial para analisar padrões de comportamento, como nível de atividade, sono e alimentação. Com isso, conseguem detectar alterações que podem indicar dor, estresse ou doenças em estágio inicial.

Esses dispositivos ajudam a identificar mudanças sutis de comportamento que muitas vezes passam despercebidas pelos tutores no dia a dia.

“A tecnologia permite um acompanhamento mais próximo da rotina do animal, o que pode contribuir para diagnósticos mais precoces e intervenções mais rápidas”, afirma a médica-veterinária Camila Domingues, que atua com clínica de pequenos animais.

A proposta é semelhante ao uso de relógios inteligentes em humanos, mas adaptada à realidade animal. Segundo a especialista, esse monitoramento contínuo pode ajudar veterinários a tomar decisões mais rápidas e precisas, principalmente em casos em que os sinais clínicos são sutis ou comuns a várias doenças.

Além dos pets, a tecnologia também é aplicada no campo. Em animais de produção, como bovinos, dispositivos com IA ajudam a monitorar saúde, reprodução e deslocamento, otimizando o manejo e reduzindo perdas.

Uso cresce, mas ainda é desafio

Apesar do potencial, o uso dessas coleiras ainda é limitado no Brasil e enfrenta desafios como custo, acesso e adaptação dos animais aos dispositivos. Outro ponto em debate é a interpretação dos dados, que ainda depende da avaliação de profissionais.

A tendência, segundo especialistas, é que a tecnologia se torne cada vez mais acessível e integrada à rotina dos tutores.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.