UFOP sofre novo corte orçamentário e projeta déficit de R$ 6,4 milhões para 2025
Dotação inicial caiu para R$ 69,9 milhões e inclui pendências financeiras de anos anteriores; redução representa perda real de 31,2% em relação a 2016

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) enfrenta uma nova redução em seu orçamento discricionário para 2025. Com a sanção da Lei Orçamentária Anual (LOA), a instituição registrou um corte de R$ 2,1 milhões em relação ao que havia sido previsto inicialmente, totalizando uma dotação de R$ 69,9 milhões. O valor, segundo a Pró-Reitoria de Planejamento e Orçamento, é insuficiente para cobrir as despesas projetadas para o ano, estimadas em R$ 77,8 milhões.
A situação financeira foi apresentada na última reunião do Conselho Universitário, realizada em 16 de abril. De acordo com o pró-reitor de Finanças, Thiago Augusto de Oliveira Silva, as despesas empenhadas até o momento já alcançam R$ 11,1 milhões, valor que inclui um déficit de R$ 3,2 milhões do exercício anterior, quitado com recursos da nova dotação. Com isso, o montante efetivamente disponível para 2025 foi reduzido para R$ 58,3 milhões.
A análise do orçamento aponta para um déficit potencial de R$ 6,4 milhões, considerando apenas os compromissos já assumidos e a manutenção do padrão de gastos do ano anterior. O valor pode ser ainda maior caso não se concretize a previsão de receitas próprias da universidade ou se forem apresentadas novas notas fiscais relativas a serviços prestados, mas ainda não contabilizados oficialmente.
Comparações com anos anteriores, em valores corrigidos, evidenciam a queda progressiva na capacidade de custeio da instituição. Em 2016, a UFOP dispunha de R$ 100,3 milhões. Em 2024, o valor caiu para R$ 74 milhões, chegando agora aos R$ 69,9 milhões — uma perda real de 31,2% em comparação ao orçamento de nove anos atrás e de 6,9% em relação ao ano anterior.
Entre as principais áreas impactadas estão os contratos de manutenção e serviços, concessão de bolsas, funcionamento do restaurante universitário, convênios e demais despesas operacionais. A gestão universitária avalia cenários e alternativas para lidar com a redução dos recursos, sem comprometer atividades essenciais de ensino, pesquisa e extensão.
Segundo o reitor Luciano Campos, os dados refletem a crescente fragilidade orçamentária das instituições federais de ensino superior, o que exige medidas contínuas para evitar prejuízos às atividades acadêmicas e administrativas.
Matheus Renovato, natural de Belo Horizonte, é repórter multimídia da Itatiaia Ouro Preto, onde está desde 2023. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto, possui experiência prévia na Rádio UFOP. Seu interesse profissional concentra-se especialmente nas áreas de jornalismo político, cultural e esportivo.



