Belo Horizonte
Itatiaia

Mariana abre inscrições para curso de enfrentamento à violência contra a mulher

Formação gratuita busca ampliar conscientização e fortalecer rede de proteção no município

Por
Minas tem 75 mil casos pendentes de violência contra mulher
Os bairros com maior incidência de casos são Rosário, Cabanas e Santa Rita de Cássia • CMBH

A Prefeitura de Mariana abriu inscrições para a primeira edição do Curso de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. A iniciativa, promovida pela Subsecretaria da Mulher e Direitos Humanos, é voltada à comunidade e tem como objetivo fortalecer a rede de proteção no município.

A formação será realizada ao longo do mês de maio, com carga horária total de 10 horas, distribuídas em 3 encontros presenciais. As inscrições seguem abertas até o dia 17 de abril.

Em nota, a prefeitura afirmou que a ação propõe uma abordagem ampla sobre a temática:

“O curso perpassa discussões acerca da formação do machismo e construção de gênero na sociedade contemporânea; as medidas de proteção e os caminhos para o reconhecimento e enfrentamento da violência; e a rede de atendimento e proteção à mulher em Mariana/MG. A formação será realizada por servidores municipais e palestrantes externos, cujo aprofundamento acerca do tema acontecerá conforme o público inscrito, mediante análise prévia”.

Dados mais recentes reforçam a relevância da iniciativa. Apenas em 2025, a Proteção Social Especial de Alta Complexidade realizou oito acolhimentos institucionais provisórios de mulheres em situação de violência.

Informações da Secretaria Municipal de Segurança Pública apontam ainda que, entre setembro de 2021 e fevereiro de 2026, 166 mulheres foram atendidas pelo dispositivo Botão do Pânico, com 29 acionamentos em situações de risco iminente ou descumprimento de medidas protetivas.

Ainda em nota, a prefeitura destacou que em Mariana “os dados apontam um perfil de vítimas marcado pela interseccionalidade entre gênero, raça e classe social, no qual é apontado uma maior predominância de mulheres na faixa etária de 31 a 35 anos de idade (18,6%), solteiras (57,45%), pardas (42,6%), com ensino médio completo (39,36%) e com renda de até um salário mínimo. Os bairros com maior incidência de casos são Rosário (13,83%), seguido pelos bairros Cabanas (10,64%) e Santa Rita de Cássia (9,57%)”.

Nesse contexto, a administração municipal destaca, para além do curso, a estruturação de políticas públicas, como a criação do Conselho Municipal e da Comissão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, além do fortalecimento do programa Mariana D’elas, que atende cerca de 300 mulheres em situação de vulnerabilidade.

A rede de atendimento no município também é ampla, reunindo serviços da assistência social e da segurança pública, como a Patrulha Maria da Penha, o Botão do Pânico, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que “é o equipamento público destinado às situações de risco e/ou violação de direitos, dentre eles, a violência doméstica e familiar contra a mulher. Além disso, canais de denúncia também estão disponíveis por meio das polícias Civil, Militar e Municipal, além do Disque 180”.

A prefeitura informou que o Curso de Enfrentamento à Violência contra a Mulher terá novas edições e que outras ações com esse propósito devem ser ampliadas, como rodas de conversa em comunidades rurais e capacitações para servidores públicos.

Os interessados no curso devem se inscrever por meio do link disponível nos canais oficiais da Prefeitura de Mariana.

Por

Sabrine Varjão é graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto. Natural de São Paulo (SP), se apaixonou pela comunicação na Região dos Inconfidentes. Suas principais áreas de interesse são política, cultura e esportes.