Hidrogeodia 2026 promove caminhada e debate sobre águas subterrâneas em OP
Além da caminhada, o evento contará com uma feirinha organizada pelos moradores e venda de alimentos

A preservação das águas subterrâneas, recurso essencial e muitas vezes invisível, será o foco da quarta edição do Hidrogeodia, que acontece no próximo dia 18 de abril, na Serra do Botafogo, em Ouro Preto. O evento reúne pesquisadores, estudantes e moradores em uma proposta de sensibilização ambiental e diálogo sobre os impactos da mineração e a importância da gestão sustentável da água.
Realizado anualmente em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o Hidrogeodia é uma iniciativa da Associação Internacional de Hidrogeólogos Ibero-América em parceria com a Cátedra UNESCO Água, Mulher e Desenvolvimento. Em 2026, o evento conta com apoio de instituições como a Universidade Federal de Ouro Preto, associações comunitárias e organizações ambientais.
A programação inclui uma caminhada guiada pela região da Serra do Botafogo, área estratégica do Quadrilátero Ferrífero-Aquífero. O objetivo é discutir, no próprio território, como as águas subterrâneas são formadas, armazenadas e distribuídas — além de refletir sobre os riscos provocados pelo avanço da mineração.
Segundo especialistas, a exploração mineral pode comprometer diretamente os aquíferos da região, afetando o abastecimento de comunidades locais e até de municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmou, Adivane Terezinha Costa, professora da UFOP:
“Então, a mineração no Botafogo impacta as águas subterrâneas. Isso acontece porque a exploração é feita sobre o minério de ferro, que está em uma formação geológica chamada itabirito, que funciona como um aquífero profundo. Essa rocha tem alta capacidade de armazenar água nas fraturas, permitindo a infiltração e a transmissão dessa água. Essas águas formam nascentes que abastecem comunidades locais e também seguem para o Rio Funil, contribuindo para sistemas de abastecimento que chegam até a Região Metropolitana de Belo Horizonte.”
A proposta do Hidrogeodia também vai além da ciência e busca fortalecer o diálogo com a comunidade local. Moradores da região participam ativamente da organização, desde a preparação do trajeto até a oferta de alimentação durante o evento. Como explica Maria Tereza Godoy, Mestranda da UFOP:
“Como o evento é construído em conjunto com a comunidade, os moradores têm uma participação muito ativa. Eles ajudam desde a escolha dos pontos da caminhada até a organização do espaço e da alimentação. Isso fortalece a troca entre universidade e comunidade, criando um espaço de escuta. Um dos principais desafios hoje é a divisão dentro da própria comunidade por causa da mineração, com diferentes percepções sobre os impactos, como poeira, lama e mudanças nos rios. O evento ajuda a dar visibilidade a essas questões e promove a conscientização sobre a importância de preservar o território.”
Além da caminhada, o evento contará com uma feirinha organizada pelos moradores, com venda de alimentos, fortalecendo a economia local.
O ponto de encontro será na Capela de Santo Amaro do Botafogo, a partir das 9h da manhã. A organização orienta os participantes a utilizarem roupas confortáveis, calçados fechados e levarem água.
Com o tema que conecta meio ambiente, território e justiça social, o Hidrogeodia reforça a importância de proteger as águas subterrâneas — fundamentais para a vida, para os ecossistemas e para o futuro das comunidades.
Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.



