Itatiaia

Estudo inédito sobre saúde da população negra gera debates

Pesquisadores de todo o Brasil se reúnem para discutir levantamento inovador em Ouro Preto, que possui 70% de população autodeclarada negra

Por
Ouro Preto
Ane Souz

Pesquisadores de diversas regiões do Brasil irão se reunir para discutir o levantamento inédito sobre a saúde da população negra em Ouro Preto. O anúncio foi feito na última segunda-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. O município, que possui 70% de sua população autodeclarada negra, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será pioneiro no país ao gerar e analisar dados sobre a saúde dessa população diretamente em seu território.

O diretor de Promoção da Igualdade Racial de Ouro Preto, Kedson Guimarães, também responsável pela direção executiva da pesquisa, destacou a relevância dos estudos. O estudo de saúde da população negra em Ouro Preto foi viabilizado por meio de uma premiação obtida através da então deputada Áurea Carolina. Guimarães enfatizou que o objetivo é direcionar políticas públicas para a saúde da população negra afroindígena no município, considerando que saúde vai além da ausência de doença, abrangendo acesso a educação, cultura e dignidade.

O prefeito de Ouro Preto, Ângelo Osvaldo, que também participou do evento, classificou o estudo como histórico, ressaltando que a cidade desempenha um papel destacado no cuidado com a saúde da população afrodescendente. O estudo, que se destaca por ser original, inédito e exemplar, terá, segundo Osvaldo, uma repercussão global ao focar na situação de saúde da população negra que representa a maioria dos moradores do município.

O estudo é uma realização conjunta da Prefeitura de Ouro Preto e da Universidade Federal de Ouro Preto, sendo possível graças a uma emenda parlamentar da deputada federal Áurea Carolina, que destinou R$ 500 mil para a pesquisa. Essa iniciativa envolve cientistas, acadêmicos e outros interessados no movimento negro, contribuindo para o conhecimento aprofundado das condições de saúde da população afrodescendente.

PorIsabela Vilela é repórter multimídia na Itatiaia Ouro Preto desde 2022. Jornalista formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), é mestranda em Comunicação pela mesma instituição, pesquisando sobre a produção jornalística em plataformas digitais. Antes, passou pela Agência Primaz de Comunicação e atuou como Copywriter e Produtora de Conteúdo em organizações sociais de Minas Gerais e São Paulo.