Documentos históricos do Século XVII são restaurados e devolvidos à Arquidiocese de Mariana
Itens de alto valor histórico, incluindo registros religiosos, são recuperados e retornam às instituições mais antigas de Minas Gerais

Cerca de trinta documentos de valor histórico, alguns datados do século XVII, retornaram à Arquidiocese de Mariana, na região central de Minas Gerais. Os itens, que incluem registros de batismo e um termo de irmandade religiosa, foram localizados em posse de uma mulher residente no distrito de Passagem, Mariana. Considerados de domínio público, esses documentos têm grande importância histórica e cultural. Após uma decisão judicial, os documentos foram restituídos à Arquidiocese e à Câmara de Vereadores de Mariana, duas das instituições mais antigas do estado.
A historiadora e perita do Ministério Público, Neise Duarte, relatou o processo de identificação dos documentos: "Um laudo de 2009, feito pelo professor da UFOP Marco Antônio Silveira, já indicava a destinação de alguns itens. No entanto, durante a coleta dos documentos, muitos outros foram descobertos e foram encaminhados para a Câmara ou para o Arquivo Eclesiástico, dependendo do conteúdo."
O manuseio dos documentos foi desafiador devido à sua fragilidade. Neise Duarte explicou: "Recolhi esses documentos diretamente na casa da proprietária e viajei até Belo Horizonte. Desde o transporte, tomamos todas as precauções necessárias, utilizando máscaras e luvas de proteção, devido à fragilidade de muitos deles. Alguns têm mais de trezentos anos."
O Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana celebrou o retorno dos documentos históricos, ressaltando sua importância para a história local e a Igreja. O padre Leandro Ferreira Neves destacou: "Esta recuperação valoriza nossa história e a ação da Igreja na sociedade. Os documentos também estão disponíveis para o público, fornecendo não apenas informações históricas, mas também documentos de genealogia, como registros de batismo, que atestam a existência das pessoas na época."
Alguns dos documentos também foram encaminhados ao Arquivo Público Municipal de Ouro Preto. Elenice Oliveira, responsável pelo acervo, celebrou a recuperação: "A história é construída através de documentos e informações ao longo do tempo. Sempre que recebemos doações ou recuperamos algo valioso, a história se enriquece. Isso beneficia pesquisadores e contribui para o conhecimento da cidade."
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IFAM), cinquenta e três objetos históricos estão desaparecidos em Minas Gerais e estão sendo procurados pela justiça. A maioria desses itens tem relação com o contexto religioso, incluindo imagens sacras e objetos utilizados em celebrações.