Belo Horizonte
Itatiaia

BNDES libera R$ 24,5 milhões para projetos das comunidades atingidas na bacia do Rio Doce

Em maio, foram anunciadas as regras para escolha dos primeiros projetos que receberão recursos do Fundo de Participação Social

Por
Projeto Rio Doce FGV

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, liberou R$ 24,5 milhões do Fundo Rio Doce para custear a gestão administrativa, financeira e a governança de projetos que serão definidos diretamente pelas comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. A tragédia ocorreu em 2015 e afetou dezenas de municípios ao longo da bacia do Rio Doce.

Os recursos correspondem à primeira parcela destinada a essa finalidade. Uma nova transferência está prevista para 2027, no valor de R$ 16,3 milhões. O trabalho de governança será conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde. A gestão administrativa e financeira ficará sob responsabilidade da Fiotec, fundação de apoio da instituição.

Além da governança dos projetos, a Fiocruz também será responsável pela implementação de um programa voltado à criação de uma rede de pesquisas para avaliar os impactos do rompimento da barragem. A instituição deverá dar suporte ao Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, acompanhar editais de seleção e monitorar a execução dos projetos escolhidos.

O Fundo Rio Doce foi criado a partir do Novo Acordo do Rio Doce, firmado em 2024, com o objetivo de repactuar as ações de reparação pelos danos causados pelo desastre. Do total de R$ 49,1 bilhões destinados às medidas sob responsabilidade da União, R$ 5 bilhões foram reservados para projetos de deliberação direta das comunidades afetadas e para a gestão do Conselho Federal de Participação Social.

De acordo com o BNDES, os projetos deverão contribuir para geração e distribuição de renda, retomada econômica, diversificação produtiva, redução das desigualdades e valorização dos modos de vida locais. Os critérios para escolha das iniciativas serão definidos pelo Conselho Federal de Participação Social, presidido pela Secretaria-Geral da Presidência da República e composto por 36 membros titulares, com participação paritária entre governo e sociedade civil.

Em maio, foram anunciadas as regras para escolha dos primeiros projetos que receberão recursos do Fundo de Participação Social. Uma chamada pública conduzida pelo BNDES vai destinar R$ 225 milhões a projetos estruturantes apresentados pelas comunidades atingidas. As propostas poderão ser enviadas até 30 de dezembro e devem se enquadrar em dois eixos: fortalecimento institucional de organizações sociais e apoio a empreendimentos produtivos coletivos.

Outro edital, lançado pela Fundação Banco do Brasil, também prevê R$ 225 milhões para projetos voltados ao fortalecimento direto das comunidades atingidas. Nesse caso, as propostas devem ser submetidas até 22 de junho. Somados, os dois mecanismos de fomento chegam a R$ 450 milhões e passaram por análise do Conselho Federal de Participação Social.

 

Por

Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.