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7 anos de reforma trabalhista: avanços e desafios ainda dividem especialistas e trabalhadores

Entre promessas de modernização e críticas sobre precarização, a reforma de 2017 continua a dividir especialistas, trabalhadores e empresários, com revisões já sendo debatidas no Congresso

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Pedro Ventura/Agência Brasília

Sete anos após sua implementação, a reforma trabalhista brasileira, sancionada em 2017, continua sendo alvo de debates acalorados, com opiniões divididas entre especialistas, trabalhadores e empresários.

Com o objetivo de modernizar as relações de trabalho e flexibilizar direitos para atrair investimentos, a reforma alterou mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo a regulamentação do trabalho intermitente, o regime de home office e novas condições para a negociação entre patrão e empregado.

Defensores da reforma argumentam que a flexibilização do mercado impulsionou a criação de novas oportunidades, especialmente para pequenas e médias empresas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam um aumento nas contratações em regimes temporários e intermitentes, o que contribuiu para o crescimento do número de empregos formais.

Por outro lado, sindicatos e movimentos sociais afirmam que a reforma precarizou as condições de trabalho e enfraqueceu as garantias dos trabalhadores. Segundo esses grupos, a redução de direitos e benefícios aumentou a insegurança financeira, enquanto a ampliação das modalidades de contratos flexíveis resultou na diminuição da renda e da proteção social.

A advogada Gabriella Maragn, em entrevista à rádio Itatiaia, explicou os fatores que levaram às mudanças:

"Em 2017, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Michel Temer assumiu a presidência. Nesse contexto, a economia sofreu uma retração e o desemprego aumentou. A reforma trabalhista, apoiada por Temer, tinha como objetivo aumentar os postos de trabalho e melhorar a economia. No entanto, ela acabou beneficiando mais os empresários e as indústrias, enquanto as reivindicações dos trabalhadores não foram suficientemente ouvidas", disse.

Gabriella também destacou que os reflexos da reforma são visíveis no fato de que, embora muitos trabalhadores tenham conquistado direitos como o teletrabalho durante a pandemia, a maior parte viu seus direitos enfraquecidos. Segundo ela, muitos se viram forçados a aceitar condições de trabalho mais precárias, com acordos individualizados que enfraqueceram a negociação coletiva.

Outro ponto controverso da reforma foi a mudança nas regras para o acesso à justiça trabalhista. Com a nova legislação, o trabalhador passou a correr o risco de arcar com custos processuais elevados, o que, segundo críticos, desestimula a busca por seus direitos, gerando medo de despesas excessivas em caso de derrota.

De acordo com dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), houve uma queda de cerca de 30% no número de processos trabalhistas desde a implementação da reforma, em 2018.

Em um cenário de alta inflação e aumento do custo de vida, as discussões sobre possíveis revisões da reforma voltaram a ganhar destaque no Congresso e no governo federal. Ambas as partes indicam que estudarão ajustes na legislação para restabelecer o equilíbrio entre flexibilidade e proteção dos trabalhadores.

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Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.

 

 

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