Dom Walmor | Carregar a dor do outro
O amor fraterno é remédio para uma humanidade ferida; essa disposição começa na família e repercute na sociedade

O mundo contemporâneo, além das antigas enfermidades, enfrenta novos adoecimentos e múltiplas dores. Ecoa, então, a indicação humanitária do Papa Leão XIV em sua mensagem para o 34º Dia Mundial do Doente: inspirar-se na compaixão do Bom Samaritano, amando ao ponto de carregar a dor do outro. Essa imagem permanece atual e revela que a solidariedade é prática eficaz no cuidado das dores humanas, com desdobramentos sociais concretos em favor dos necessitados, sofredores e doentes.
A dor não é privilégio nem castigo, mas realidade existencial que alcança a todos. Ninguém está imune, e todos precisam de solidariedade. O samaritano socorre o desconhecido sem vínculos prévios, cuida dele e assume responsabilidades. O Papa recorda que a cultura da pressa e do efêmero favorece a indiferença, distanciando-nos do sofrimento alheio.
Na parábola, sacerdote e levitas passam ao largo, enquanto o samaritano se faz próximo. Essa proximidade ensina que um mundo novo nasce quando alguém decide ir ao encontro do outro, sobretudo de quem precisa de cuidado. Compaixão é emoção profunda que brota da interioridade e gera compromisso concreto. Seu cultivo pode prevenir violências e promover fraternidade.
A compaixão favorece uma cultura solidária e qualifica a vida. Carregar a dor do semelhante é reconhecer que pertencemos a um mesmo corpo: a humanidade. O amor de Deus sustenta esse agir desinteressado, que transcende normas e se torna culto autêntico.
O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.



