Saúde menstrual: especialista alerta que dor intensa não deve ser normalizada na adolescência
Cólicas acentuadas, sangramento excessivo e outros sintomas podem prejudicar a rotina escolar e social

A saúde menstrual tem impacto direto na vida escolar e social de milhões de adolescentes brasileiras. Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Alana, em parceria com o Instituto Equidade.Info, aponta que quatro em cada dez estudantes que menstruam faltam às aulas pelo menos uma vez por mês devido a sintomas menstruais. Além disso, seis em cada dez convivem com cólicas moderadas ou intensas.
Em entrevista à Itatiaia, o médico ginecologista e professor da Afya Montes Claros, Silvan Márcio de Oliveira, destacou que dores que interferem na rotina precisam ser investigadas. Segundo ele, a cólica pode ser intensa desde as primeiras menstruações ou surgir posteriormente, sendo importante observar mudanças no padrão. “Dor que atrapalha a vida da criança tem que chamar a atenção”, afirmou o especialista.
Além das cólicas, o sangramento intenso, náuseas, vômitos, fadiga, sonolência e dor nas mamas também podem comprometer a rotina. O médico explica que o sangramento excessivo pode levar a adolescente a evitar a escola por medo de constrangimentos.
Para o especialista, a dor menstrual intensa não deve ser encarada como algo que a adolescente simplesmente precisa suportar. “Não é normal”, alertou.
A orientação é procurar atendimento quando os sintomas começam a interferir nas atividades escolares, sociais ou físicas. O acompanhamento regular com pediatra ou ginecologista também pode contribuir para a identificação precoce de alterações.
Segundo o especialista, a cólica menstrual ocorre principalmente durante o período menstrual, enquanto a endometriose pode provocar dor antes, durante e após a menstruação. “Essa paciente começa a sentir dor um pouco antes da menstruação e termina a menstruação e ela continua sentindo dor alguns dias”, explicou. Dores intensas ou persistentes, que interferem na rotina, devem ser investigadas.
Entre os cuidados que podem ajudar no controle dos sintomas estão a prática de atividades físicas, alimentação equilibrada, redução do consumo de alimentos ultra processados e, quando necessário, tratamento medicamentoso indicado por profissional de saúde.
O médico também chamou atenção para a chamada pobreza menstrual. Segundo ele, muitas adolescentes deixam de frequentar a escola não pela intensidade da dor, mas pela dificuldade de acesso a absorventes. Para o especialista, a escola e os responsáveis devem estar atentos a essa realidade e contribuir para garantir condições adequadas às estudantes.
Absorventes gratuitos pelo Programa Farmácia Popular
Mais de 40 mil farmácias credenciadas ao Programa Farmácia Popular já distribuem absorventes gratuitamente pelo Programa Dignidade Menstrual. O benefício é destinado a pessoas de 10 a 49 anos inscritas no CadÚnico, com renda mensal de até R$ 218,00, estudantes da rede pública de baixa renda e pessoas em situação de rua.
Para ter acesso:
1. Verifique se atende aos critérios do programa e possui CPF e conta Gov.br.
2. Procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para solicitar a autorização para retirada dos absorventes. A autorização também pode ser obtida pelos canais digitais do Governo Federal.
3. Com a autorização em mãos, procure uma farmácia credenciada ao Programa Farmácia Popular.
4. Apresente a autorização e um documento com CPF para retirar os absorventes gratuitamente.
Desde 2024, o programa já beneficiou mais de 2,5 milhões de pessoas e distribuiu mais de 376 milhões de absorventes em todo o país.
Osmar Macedo é repórter da Itatiaia – Montes Claros. Jornalista formado pela UFMG e graduado em História pela Unimontes. Entre as coberturas que participou, destaca a tragédia na Creche Gente Inocente em Janaúba e a Canonização de Irmã Dulce, direto de Roma e do Vaticano.



