Por que os incêndios no Chile foram tão devastadores? Veja três fatores 'chave'
O fogo devastou mais de 400 mil hectares de terra e totalizou ao menos 123 mortes, tornando-se um dos maiores desastres do século XXI

Os incêndios florestais que devastaram mais de 400 mil hectares de terra no Chile totalizaram 123 mortes e mais de 100 desaparecidos, de acordo com o balanço divulgado nessa segunda-feira (6), tornando-se um dos maiores desastres do gênero no século XXI.
O número de vítimas deve aumentar nos próximos dias, de acordo com o presidente Gabriel Boric.
O desastre se tornou o segundo maior a atingir o país latino-americano desde o terremoto de magnitude de 8,8 que abalou o país em 27 de fevereiro de 2011, com um total de 525 mortos.
O especialistas listou três pontos principais que justificam o tamanho da destruição; confira:
1 - Mudanças climáticas
De acordo com Ruibran dos Reis, a grande variabilidade do clima, intensificada pelas mudanças climáticas, é um dos fatores que causaram a propagação do incêndio.
Segundo o meteorologista, Chile vive uma forte onda de calor “jamais vista nesta época do ano”, com temperaturas acima dos 37ºC em algumas regiões.
A mudança climática também influenciou incêndios florestais de alta magnitude no Havaí, nos EUA, e no Canadá, em 2023.
A atuação do El Ninõ também contribui para a condição climática extrema, com diminuição das chuvas em algumas regiões e aumento de secas.
O fenômeno causado pelo aumento anômalo da temperatura das águas do Oceano Pacifico ainda está em atuação em fevereiro de 2024, mas com uma intensidade menor do que em dezembro de 2023 e janeiro de 2024.
“Nós estamos em um ano de atuação do El Niño, com temperaturas muito elevadas, onda de calor, baixa umidade relativa do ar. Então, isso facilita a propagação e a formação de focos de incêndio”, explica Ruibran dos Reis.
O meteorologista do Climatempo afirma que o fenômeno tende a enfraquecer a partir do mês de março. O ciclo do El Niño dura em média entre 9 e 12 meses, mas o tempo pode variar consideravelmente entre os eventos.
Ao contrário das mudanças climáticas, o fenômeno ocorre de maneira natural e não sofre tanta influência da ação humana.
2 - Condições climáticas e geológicas
O relevo montanhoso do Chile, que é cercado pela Cordilheira dos Andes, também favoreceu a rápida proliferação das chamas, com rajadas de ventos acima dos 80 km/h, de acordo com Ruibran dos Reis.
Além disso, a cordilheira com mais de 4.000 metros de altura atua como uma espécie de barreira natural, impedindo a passagem de umidade do Oceano Pacífico para o interior do país, criando um clima mais seco.
A condição geológica é combinada com fatores climáticos que contribuem para a geração de incêndios.
Rubian explica que a alta pressão subtropical do Pacífico Sul, posicionada entre a América do Sul e a Austrália, gera um sistema de alta pressão que domina o clima do Chile e desvia as frentes frias para o Sul.
“Essa alta pressão, por exemplo, impede a ocorrência de chuvas e cria o Deserto do Atacama (localizado no Norte do Chile)”, disse.
3 - Ocupação humana
Por fim, o especialista aponta a construção de casas de maneira irregular e a alta densidade populacional nas áreas afetadas pelo incêndio como fatores que contribuíram para a dimensão da tragédia.
Segundo ele, a construção precária e concentração populacional favoreceram a rápida proliferação do fogo, passando de uma casa para outra, fazendo com que muitas moradias virassem cinzas.
Rubin explica que o relevo montanhoso no Chile influencia esse estilo de habitação em áreas íngremes e de difícil acesso, que favorecem a propagação do incêndio. A topografia também limita a disponibilidade de terras planas para construção.
*Com informações da AFP
Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.
Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.


