Papa condena ‘praga’ dos abusos sexuais na Igreja e pede reparação às vítimas
Um relatório divulgado em 2023 pelo Defensor do Povo da Espanha estimou que mais de 200 mil menores podem ter sofrido abusos cometidos por integrantes do clero católico desde 1940

O papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira (8) que os abusos sexuais cometidos por membros do clero representam “uma praga” para a Igreja Católica e defendeu respostas baseadas em “escuta, verdade, justiça e reparação” às vítimas.
Durante discurso direcionado aos bispos espanhóis, o pontífice falou sobre pessoas que foram prejudicadas justamente por integrantes da Igreja que deveriam protegê-las.
“Diante desta praga, a comunidade eclesiástica é chamada a responder com escuta, verdade, justiça e reparação”, declarou.
Leão XIV também pediu um fortalecimento das políticas de prevenção e de uma “cultura de cuidado”, afirmando que todas as vítimas devem encontrar “escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais para a cura”.
No terceiro dia de visita oficial à Espanha, o papa discursou no Congresso dos Deputados e deve se reunir ainda nesta segunda-feira, em Madri, com vítimas de abusos cometidos por religiosos. Segundo a imprensa espanhola, o encontro acontecerá de forma reservada na Nunciatura Apostólica.
Associações de vítimas criticam o Vaticano
Apesar da reunião, associações de vítimas criticaram o Vaticano por não terem sido convidadas para participar do encontro. Integrantes dos grupos se reuniram em frente à Nunciatura para protestar e cobrar maior transparência da Igreja Católica.
“Acho que o papa está perdendo uma oportunidade importante de dialogar com as vítimas na Espanha e sairá daqui com uma visão muito limitada”, afirmou Juan Cuatrecasas, porta-voz da associação Infância Roubada, em entrevista à AFP.
Durante o voo para Madri, no sábado (6), Leão XIV já havia afirmado que os abusos sexuais continuam sendo “uma ferida aberta” para a Igreja.
200 mil vítimas
Um relatório divulgado em 2023 pelo Defensor do Povo da Espanha estimou que mais de 200 mil menores podem ter sofrido abusos cometidos por integrantes do clero católico desde 1940.
Após anos de críticas sobre falta de transparência, o governo espanhol e a Igreja assinaram em março deste ano um acordo para indenizar vítimas de crimes sexuais praticados por religiosos.
Papa defende imigrantes e volta a falar contra o aborto
Além do tema dos abusos, Leão XIV também dedicou parte de seu discurso no Parlamento espanhol à crise migratória e à defesa da vida “desde a concepção até o fim natural”.
Segundo o papa, nenhum país consegue enfrentar sozinho o aumento dos fluxos migratórios e é necessária uma resposta internacional coordenada.
“Nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio dessa magnitude. É essencial uma resposta solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração”, afirmou.
O pontífice também reforçou a posição da Igreja Católica contra o aborto e a eutanásia.
“Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a concepção até o seu fim natural”, disse.
A declaração ocorre em meio ao debate promovido pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez sobre a inclusão do direito ao aborto na Constituição espanhola. O país já aprovou uma lei que regulamenta a eutanásia em 2021.
No domingo (7), o papa celebrou uma missa em Madri que reuniu cerca de 1,5 milhão de fiéis, segundo organizadores. Nesta segunda-feira, ele participa de outro grande evento no estádio Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid.
Na terça-feira (9), Leão XIV seguirá para Barcelona, onde irá abençoar a nova torre da Basílica da Sagrada Família, agora considerada a igreja mais alta do mundo.
A viagem será encerrada nas Ilhas Canárias, onde o papa participará de homenagens aos migrantes mortos tentando chegar à Europa. O evento contará com a presença de Pedro Sánchez.
Recentemente, o governo espanhol anunciou um plano para regularizar a situação de cerca de 500 mil imigrantes sem documentos, a maioria oriunda da América Latina. A medida recebeu críticas de partidos de direita e extrema direita no país.
*Com AFP News
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



