Itatiaia

Lula mantém apoio à ex-presidente do Chile para disputar comando da ONU

Michelle Bachelet perdeu o respaldo de seu próprio país na última terça, com a chegada do novo presidente de ultradireita

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O presidente Lula (esq.) e a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet (dir.)
O presidente Lula (esq.) e a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet (dir.) • Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou neste sábado (28) que o Brasil continuará apoiando a candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na terça-feira (24), o novo governo chileno, liderado por José Antonio Kast, de ultradireita, retirou o apoio ao nome da ex-mandatária socialista.

“Bachelet é altamente qualificada, com o melhor currículo para a função, tendo sido duas vezes presidenta de seu país, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e Diretora Executiva da ONU Mulheres. Ela tem todas as credenciais para ser a primeira mulher latino-americana a liderar a organização, promovendo a paz, fortalecendo o multilateralismo e recolocando o tema do desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional", escreveu Lula, em seu perfil no X.

Além do Brasil, Bachelet também conta com o apoio do México, comandado por Claudia Sheinbaum, também de esquerda.

Segundo apurou a Itatiaia, embora seja respaldada pelas duas maiores forças da América Latina, a chilena pode ter a campanha desgastada pelos adversários justamente por não receber o apoio de seu próprio país. Entretanto, não há impedimento jurídico para que ela concorra sem o aval de Santiago.

Além de Bachelet, outros dois latino-americanos são candidatos à vaga hoje ocupada pelo português António Guterres:

  • Rafael Mariano Grossi, diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
  • Rebeca Grynspan, ex-segunda vice-presidente da Costa Rica.

Macky Sall, ex-presidente do Senegal, também surge como um possível candidato do continente africano. Apesar disso, por força de uma regra informal na ONU sobre o revezamento dos continentes para a escolha do comando da entidade, o próximo secretário-geral tende a ser latino-americano.

Fontes ligadas ao assunto avaliaram que apesar de haver um obstáculo para Bachelet, o processo ainda está em estágio inicial, com os primeiros debates entre os candidatos previstos para acontecer em abril, em Nova York.

Esses interlocutores apontaram ainda que os outros postulantes também devem ter problemas com os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que escolhe o próximo secretário-geral. Fazem parte do grupo os Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.

É o caso de Grossi, indicado pelo presidente argentino, Javier Milei, que terá que lidar com o ceticismo da Rússia e da China. A avaliação é que, como diretor da AIEA, o diplomata foi ambíguo durante os ataques de Israel ao Irã. Além disso, sua proximidade com os EUA incomoda as duas potências.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.