Irã cita 'exigências excessivas' e recusa segunda rodada de negociações com EUA
Governo iraniano afirma que os Estados Unidos contam com demandas "irracionais e pouco realistas"; reunião era prevista para esta segunda (20)

O governo do Irã recusou o início de uma segunda rodada de negociações pela paz com os Estados Unidos em meio a guerra que dura cerca de dois meses, afirmou a agência estatal de notícias IRNA neste domingo (19). As conversas estavam previstas para começar nesta segunda-feira (20), no Paquistão.
Segundo a Irna, os Estados Unidos fazem "exigências excessivas", além de demandas "irracionais e pouco realistas". Teerã também acusou o governo norte-americano de dar declarações contraditórias e de violar o cessar-fogo.
O primeiro vice-presidente iraniano e principal negociador do país, Mohammad Reza Aref, afirmou que as posições estabelecidas pelos negociadores estadunidenses são “infantis e variadas, já que imploravam por um cessar-fogo e negociações sob pressão, mas adotavam uma postura inflexível posteriormente”.
Em relação ao Estreito de Ormuz, ele afirmou que a República Islâmica manteria suas “conquistas de guerra”, especialmente nessa via navegável estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Mar de Omã. Nessas circunstâncias, prosseguiu, não haveria necessidade de o país esperar pelo levantamento das sanções impostas pelos inimigos, pois essas restrições ilegais seriam praticamente ineficazes.
Acordo
Os países têm um acordo de cessar-fogo vigente desde o início do mês, firmado no dia 7 de abril, que tem prazo até a próxima quarta-feira (22). Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma delegação americana deve desembarcar na segunda-feira no Paquistão para uma nova rodada de negociações com o Irã. Ele também fez novas ameaças ao país.
“Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã”, escreveu em publicação no Truth Social, plataforma que pertence ao seu grupo de empresas. “Chega de fazer o bonzinho”, exclamou.
As tensões voltaram a crescer no entorno do Estreito de Ormuz neste sábado (18), após o Irã reverter a decisão de fechar a passagem para navios petroleiros durante uma trégua anunciada na sexta-feira (17). O estreito é uma das principais vias marítimas para o comércio internacional de petróleo. Esse bloqueio afeta diretamente os preços da commodities, fazendo os valores dispararem.
(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



