Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, diz FMI
Diretora-geral do Fundo Monetário Internacional disse, nesta quinta (9), que a situação pode se agravar

O conflito no Oriente Médio pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, uma situação que pode ficar ainda mais grave, alertou, nesta quinta-feira (9), a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
A declaração aconteceu durante o tradicional discurso de abertura anterior às reuniões de primavera no hemisfério norte — que começam na próxima terça-feira (14) — quando a chefe do FMI afirmou que a instituição prevê uma demanda adicional por assistência dos países membros "entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões (R$ 101 bilhões e R$ 254 bilhões)", dependendo da manutenção do cessar-fogo.
"A situação teria sido pior sem políticas sólidas por parte da maioria das economias emergentes... e temos os recursos necessários para enfrentar esse impacto", afirmou Georgieva. No entanto, a forte alta nos preços da energia e as interrupções no fornecimento de petróleo, gás natural e fertilizantes representam o risco de levar "pelo menos 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar".
Isso elevaria o número total "de pessoas que sofrem de fome para mais de 360 milhões", alertou. "Mesmo no melhor cenário, não haverá um retorno imediato" à situação anterior ao início das hostilidades.
O FMI deverá publicar, na terça (14), uma versão atualizada do relatório sobre as perspectivas da economia global, que deve considerar os efeitos do conflito.
No entanto, devido às incertezas, o estudo incluirá uma série de cenários, desde uma normalização relativamente rápida da situação geopolítica até um cenário em que os preços do petróleo e do gás permaneçam elevados por muito mais tempo e as consequências se consolidem. Isso poderia "colocar em dúvida a ancoragem" das expectativas de inflação do mercado e desencadear um novo e custoso ciclo de inflação para as economias globais.
Em todo caso, Georgieva admitiu: "Mesmo o nosso melhor cenário prevê uma revisão para baixo do crescimento global". "Danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos, perda de confiança e outros fatores são responsáveis" por essa situação, e "o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura", disse.
Porém, os efeitos não são os mesmos em todas as regiões do planeta. Países importadores de petróleo e países de baixa renda — que possuem margem fiscal mais limitada — estarão entre os mais afetados. "Considere as nações insulares do Pacífico, no final da cadeia de suprimentos, sem saber se receberão a energia de que precisam devido a essas graves interrupções", acrescentou a diretora-geral do Fundo.
Guerras causam perdas econômicas profundas e prolongadas aos países
Em um relatório divulgado na quarta-feira (8), o Banco Mundial observou que os países do Oriente Médio pagaram "um custo econômico imediato e severo" devido à guerra. Está prevista uma queda de 0,6 ponto percentual no crescimento da região em comparação com as projeções anteriores à guerra, chegando a 1,8% em 2026, acrescenta o banco.
A pesquisa aponta que as guerras causam perda econômicas grandes e prolongadas nos países em que os conflitos atingem — com a produção caindo cerca de 7% em cinco anos, em média, e marcas econômicas que duram mais de uma década.
O custo dos conflitos ativos atingiram níveis mais altos desde o final da Segunda Guerra Mundial. Este marco, segundo o FMI, traz consequências macroeconômicas de aumentos nos gastos militares em dois capítulos do próximo relatório "Perscpetiva Mundial".
Em 2024, ano mais recente do estudo, mais de 35 países passaram por conflitos nos territórios e aproximadamente 45% da população mundial vivia em países afetados pelas guerras.
Diante dessa situação, os governos "podem ajudar de diversas maneiras", afirmou Georgieva, mas devem evitar medidas como o controle de exportações ou de preços. No curto prazo, "é aconselhável aguardar e avaliar" a evolução da situação geopolítica; contudo, caso as expectativas de inflação se alterem, "os bancos centrais devem agir com firmeza, elevando as taxas de juros", concluiu.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



