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EUA x Irã: quem venceu a guerra após o cessar-fogo? Especialista explica

Países concordaram com um cessar-fogo por duas semanas, enquanto negociações ocorrem entre as partes

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Fumaça negra sobe após um ataque aéreo, enquanto iranianos participam do comício do Dia de Al-Quds (Jerusalém), uma comemoração em apoio ao povo palestino na última sexta-feira do mês sagrado islâmico do Ramadã, em Teerã, em 13 de março de 2026
Fumaça negra sobe após um ataque aéreo, enquanto iranianos participam do comício do Dia de Al-Quds (Jerusalém), uma comemoração em apoio ao povo palestino na última sexta-feira do mês sagrado islâmico do Ramadã, em Teerã, em 13 de março de 2026 • AFP

Irã e Estados Unidos anunciaram, nessa terça-feira (7), um cessar-fogo de duas semanas, com uma pausa nos bombardeios e a reabertura do Estreito de Ormuz. De um lado, os EUA celebram uma vitória na guerra, enquanto o Irã também garante que venceu o conflito.

No entanto, segundo o professor de Direito Internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Carlos Lima, de 37 anos, ninguém saiu claramente beneficiado do conflito.

"O cessar-fogo atende, antes de tudo, a uma necessidade comum de interromper uma escalada cujo custo se tornava rapidamente imprevisível. O Irã obtém algum ganho ao manter sua posição e abrir espaço para discutir sanções. Os Estados Unidos preservam capacidade de pressão sem aprofundar o conflito. Israel evita uma ampliação regional mais difícil de controlar", explicou o especialista.

Lucas esclareceu que os "EUA conseguiram demonstrar capacidade de ação e impor custos ao Irã, o que tem valor estratégico e doméstico", porém, não há evidência de que tenham "alterado de forma decisiva o comportamento iraniano, tampouco que tenham efetuado uma substituição do regime".

Para o professor, não houve um vencedor, mas sim uma situação de equilíbrio instável, na qual "cada parte evita uma derrota mais significativa, mas não consegue impor plenamente a sua posição".

Possível escalada?

Nas últimas horas, mesmo com o cessar-fogo, Israel continua bombardeando o Líbano, algo que foi repudiado pelo Irã. O país bloqueou novamente o Estreito de Ormuz, dizendo que o acordo foi violado com os ataques israelenses.

Para o professor, a presença de atores não estatais, como o Hezbollah - alvo de Israel no Líbano - e frentes indiretas de conflito "mantém o ambiente volátil, podendo reativar a escalada. No entanto, o risco de uma guerra mundial é remoto.

"As grandes potências têm interesse claro em evitar uma generalização do conflito", afirmou.

Por que o Paquistão mediou o cessar-fogo?

O Paquistão foi o responsável por mediar o cessar-fogo entre os países e chegou a até mesmo elaborar uma proposta para os dois lados. Isso porque o país mantém canais de diálogo tanto com Teerã quanto Washington, além de ser importante no mundo islâmico.

"Essa combinação permite atuar como intermediário sem carregar o mesmo grau de desconfiança que outras potências regionais. Sua importância não está em impor soluções, mas em viabilizar a negociação em um ambiente de baixa confiança", explicou o professor.

Guerra está resolvida?

Apesar do acordo de cessar-fogo, o conflito não está totalmente resolvido, de acordo com o especialista.

"Ele [o cessar-fogo] redefine o terreno em que ele passa a ser disputado. Os ganhos são limitados, os riscos permanecem e o resultado final dependerá menos dos anúncios públicos e mais dos termos concretos que venham a ser acordados nas próximas semanas", concluiu.

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Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.