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Espanha anuncia 'normalidade' em Ceuta após crise migratória e pede reunião urgente

Após a entrada de cerca de 60 mil pessoas em apenas 24 horas no enclave no norte da África, governo espanhol busca contornar a situação enquanto autoridades locais contestam o cenário de estabilidade

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Espanha anuncia 'normalidade' em Ceuta • JORGE GUERRERO / AFP

O governo da Espanha anunciou neste sábado (1º) o retorno a uma "normalidade razoável" na cidade autônoma de Ceuta após o enclave registrar a entrada de cerca de 60 mil pessoas vindas do Marrocos em um intervalo de apenas 24 horas. Diante do impacto do fluxo migratório sem precedentes, Madri solicitou uma reunião urgente sobre migração, pedido que recebeu o apoio de países que integram a ala crítica às políticas do governo espanhol.

Apesar do tom otimista do governo central, a paisagem em Ceuta reflete dias de intensa pressão. A cidade amanheceu sob neblina e com grupos de jovens ainda tentando atravessar a fronteira sob forte vigilância da Guarda Civil e de forças militares. Ao menos 67 pessoas morreram na tentativa de alcançar o território espanhol, segundo o balanço oficial mais recente.

"Invasão? Não. Isso é mentira. Todas as pessoas querem subir, querem um futuro bom, que não existe no Marrocos. Eu, agora mesmo, estava trabalhando como segurança, 12 horas. E quanto recebo de pagamento por dia? Dez euros", declarou à imprensa o marroquino Soufian, de 42 anos, que atravessou a fronteira a nado.

Divergência entre o governo central e autoridades locais

O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, esteve na cidade para transmitir uma mensagem de calma à população de 84 mil habitantes. Segundo Marlaska, embora a crise ainda não esteja completamente encerrada, a maior parte dos migrantes que cruzaram a fronteira na última quinta-feira já deixou o local ou foi repatriada, ainda que os números exatos sejam difíceis de mensurar.

Contudo, a avaliação oficial é contestada pela liderança regional. O Ministério do Interior considera que Ceuta vive uma "razoável normalidade" e que os procedimentos de controle e retorno funcionaram rapidamente, enquanto o presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, negou a estabilização do cenário e ressaltou que ainda há "milhares de pessoas que precisam ser repatriadas".

Nas ruas, a rotina dos moradores tenta voltar aos eixos, mas com sinais claros do desabastecimento e da desconfiança. Cafés voltaram a encher e o trânsito se intensificou ao longo do sábado, gerando longas filas nos supermercados locais.

A escassez de suprimentos é uma das principais queixas dos residentes. "As prateleiras estão vazias", relatou a dona de casa María José Benítez. Para outros moradores, o clima ainda é de incerteza e vigilância constante. "Ainda há bastante barulho e, na verdade, não há tranquilidade", ponderou a auxiliar de cozinha Irene Cuadro.

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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

 

 

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