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Entenda como a tensão entre Israel e Irã escala após ataques mútuos

Especialista analisa motivações e possíveis desdobramentos do conflito entre Israel e Irã, destacando preocupações sobre escalada nuclear e impactos globais

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This picture shows rocket trails in the sky above Netanya on June 13, 2025. Air raid sirens sounded in Jerusalem and loud blasts were heard on June 13, AFP journalists reported, as the Israeli military said it had detected a missile launched from Iran. (Photo by JACK GUEZ / AFP)
Céu da cidade de Netanya, em Israel, sob ataque de mísseis iranianos em 13 de junho deste ano

A recente escalada de tensões entre Israel e Irã tem chamado a atenção do mundo. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), afirmou nas redes sociais que foi novamente surpreendido por sirenes em Israel nesta madrugada (14).

O professor Danny Zahreddine, especialista em Oriente Médio e professor de relações internacionais da PUC Minas, fez uma análise da situação no Jornal da Itatiaia deste sábado (14).

Segundo Zahreddine, Israel tem considerado atacar o Irã há mais de 15 anos, principalmente devido ao programa nuclear iraniano. Embora o Irã afirme que seu programa nuclear é para fins pacíficos, Israel o vê como uma ameaça existencial.

''Para Israel, a ideia do Irã conseguir desenvolver armas nucleares seria uma forma de uma ameaça existencial à sua existência'', explicou o especialista.

Motivações para o ataque israelense

O professor destacou várias razões para o timing do ataque israelense:

1. O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que reforçou a narrativa israelense sobre o apoio iraniano a grupos hostis.

2. A margem de manobra política proporcionada pela eleição do presidente Trump nos EUA.

3. A perda de apoio militar iraniano na região, especialmente na Síria.

4. Os problemas políticos internos do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que poderia usar o conflito para fortalecer sua posição.

Reação internacional e possíveis desdobramentos

Zahreddine alertou para os desdobramentos potencialmente catastróficos da situação. ''O Irã não é um país qualquer, o Irã é um país com quase 100 milhões de habitantes, com capacidade militar relevante, importante'', afirmou.

O especialista também destacou que o ataque israelense a instalações nucleares iranianas é condenado pelo direito internacional. A reação da comunidade global tem sido variada, com China, Rússia e Índia condenando firmemente o ataque de Israel, enquanto os Estados Unidos oferecem apoio defensivo a Israel.

Quanto ao papel do Brasil, Zahreddine observou que, embora o país tradicionalmente trabalhe por uma perspectiva de paz, sua capacidade de influenciar diretamente o conflito é limitada. ''Esse é um problema de gente grande'', disse ele, indicando que os principais atores capazes de mediar a situação serão provavelmente China, Rússia, Estados Unidos e a União Europeia.

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