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Autoridades iranianas reagem a ameaças de Trump: 'Jogo perigoso'

Reação de Teerã expandiu-se para o campo estratégico com as declarações de Ali Akbar Velayati, ex-ministro das Relações Exteriores

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Tensão no Oriente Médio • US ARMY / AFP

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, liderou nesse domingo (5), uma forte ofensiva diplomática em resposta às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O líder americano, utilizando uma retórica agressiva e palavrões em sua rede Truth Social, ameaçou destruir a infraestrutura do Irã — incluindo usinas elétricas e pontes — caso o Estreito de Ormuz não seja liberado até a noite de terça-feira (7). Em sua publicação, Trump exigiu a reabertura da via com insultos, afirmando que os iranianos "viveriam no inferno" caso a ordem não fosse cumprida.

Em contrapartida, Qalibaf utilizou o X (antigo Twitter) para classificar os movimentos de Trump como imprudentes, alertando que tais ações estão arrastando as famílias americanas para um "inferno em vida" e ameaçando incendiar toda a região.

O parlamentar atribuiu a postura de Washington à influência do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e enfatizou que o presidente dos EUA não obterá vitórias por meio de crimes de guerra, defendendo que a única solução viável é o respeito aos direitos do povo iraniano e o fim do que chamou de "jogo perigoso".

A reação de Teerã expandiu-se para o campo estratégico com as declarações de Ali Akbar Velayati, ex-ministro das Relações Exteriores e assessor do líder supremo. Velayati alertou que a "frente da resistência" — coalizão que inclui grupos aliados no Líbano, Iraque e Iêmen — possui capacidade para mirar o Estreito de Bab Al-Mandeb, no Mar Vermelho.

O bloqueio desta via, responsável por cerca de 12% do comércio mundial segundo a Associated Press, poderia interromper o fluxo global de energia e mercadorias com "um único sinal", caso a Casa Branca persista no que o assessor classificou como "erros estúpidos".

No âmbito das condições para a desescalada, o porta-voz da presidência iraniana, Seyyed Mohammad Mehdi Tabatabaei, condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao repasse de parte das receitas do tráfego marítimo local para compensar o Irã pelos danos de guerra. Enquanto isso, o comandante da Força Quds, Esmail Qaani, elevou o tom militar ao prometer "novas surpresas" aos Estados Unidos e Israel, países que realizam ataques contra o território persa há mais de um mês.

Qaani referiu-se especificamente a uma operação de resgate de um piloto americano abatido no Irã nesta semana. Segundo o comandante, embora o resgate tenha ocorrido, a ação resultou na destruição de dois aviões de transporte e dois helicópteros Black Hawk dos EUA.

Em uma fala divulgada pela Press TV, Qaani utilizou o termo pejorativo "Elite Epstein" para se referir às lideranças de Washington e Tel Aviv, em alusão ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, reforçando que o eixo aliado deve esperar mais eventos inesperados na região.

Com informações de Estadão Conteúdo

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