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Atirador abre fogo no centro de Paris, mata três pessoas e fere outras três

O detido, um maquinista aposentado de 69 anos, havia sido condenado por atos de violência de viés racista em 2016 e 2021

Três pessoas morreram e outras três ficaram feridas nesta sexta-feira (23) no centro de Paris, baleadas por um francês que, segundo o ministro do Interior do país, queria “atacar estrangeiros” e supostamente agiu sozinho.

O ataque aconteceu pouco antes do meio-dia local, na rua Enghien, localizada no 10º distrito da capital francesa, em um bairro repleto de bares, lojas e população de origem curda.

O detido, um maquinista aposentado de 69 anos, havia sido condenado por atos de violência de viés racista em 2016 e 2021.

Três pessoas morreram: duas em frente a um centro cultural curdo e outra em um restaurante”, informou o ministro Gérald Darmanin, que visitou o local do ataque.

Entre os três feridos, um está em cuidados intensivos e os outros dois apresentam ferimentos graves. O autor dos disparos também ficou ferido e foi internado, segundo a prefeita do 10º distrito, Alexandra Cordebard.

Manifestantes curdos que se reuniram no local para protestar contra o ataque entraram em confronto com os policiais que formavam um cordão de isolamento em torno do ministro Darmanin.

O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou no Twitter o que chamou de “ataque odioso contra os curdos da França”, e a primeira-ministra Élisabeth Borne classificou o ocorrido como um “ato atroz”.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, também condenou o “terrível ataque”. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, ofereceu no Twitter condolências aos curdos e franceses.

Violência armada

O Ministério Público de Paris abriu uma investigação por homicídio, tentativa de homicídio, violência intencional com armas e violação da legislação sobre armas.

Segundo a mesma fonte, o suspeito havia sido condenado em junho a 12 meses de prisão por atos de violência com armas ocorridos em 2016. Ele recorreu da condenação.

O suspeito também foi indiciado, em dezembro de 2021, por violência com armas, com premeditação e de cunho racista. Inicialmente em prisão preventiva, ele foi libertado em 12 de dezembro sob fiança, como exige a lei, e colocado sob supervisão judicial, acrescentou a promotoria.

Em 2017, o suspeito foi condenado a seis meses de prisão com sursis por posse de armas.

A Procuradoria Nacional Antiterrorista (Pnat) foi ao local do ataque e descartou a necessidade de abrir uma investigação por atentado.

Segundo o ministro Darmanin, as vítimas não eram “conhecidas pelos serviços franceses” de inteligência. Ele ordenou a proteção dos locais de reunião da comunidade curda e locais de influência turca.

O Conselho Democrático Curdo na França (CDK-F) considerou “inaceitável” que o ataque não seja considerado um ato terrorista. "É inaceitável que não se conserve o caráter terrorista e que tentem nos fazer acreditar que se trata de um simples ativista de extrema direita”, lamentou seu porta-voz, Agit Polat, em entrevista coletiva.

O pai do atirador o descreveu como um homem “tranquilo, realmente retraído”, que “não vivia como todo mundo. Está louco, demente”, afirmou à AFP o familiar, de 90 anos.

‘Pânico total’

O Centro Ahmed Kaya é uma associação que visa a “favorecer a inserção progressiva” da população curda na região de Île-de-France, onde fica Paris, e é usado por uma ONG para organizar shows e exposições.

Segundo uma testemunha, “havia pessoas em pânico gritando para a polícia, apontando para um salão de beleza: ‘Ele está ali, entrem!’”.

Em meio à mobilização policial, integrantes do centro choravam, abraçando-se. Alguns, dirigindo-se à polícia, gritavam: “Está recomeçando, vocês não estão nos protegendo, estão nos matando!”.

O ataque desta sexta-feira ocorre menos de um mês após o 10º aniversário do assassinato, em 9 de janeiro de 2013, de três ativistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no mesmo bairro.

Diante dos confrontos, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que responderam lançando projéteis, acendendo uma fogueira com lixo e erguendo barricadas na rua. Eles gritaram lemas como “PKK, os mártires não morrem!”.

AFP
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